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Baile no Céu

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Essa metamorfose ambulante

O primeiro giro da Vertigem, uma revista eletrônica comandada pelas matriarcas Kamille e Leïlah, cariocas, geminianas, filhas do jornalismo dos anos 1990, acontece num contexto da cena carioca que pode ser considerado como uma onda de uma série que vem provocando a imprensa a sair de sua zona de conforto. Agosto de 2015 teve como marco demissões em massa nos principais jornais da cidade. Sinais do processo que a imprensa vive desde a pulverização das fontes da notícia com o advento da internet e redes sociais.

Junto com a Vertigem nasce esta coluna, sob o Sol em Escorpião, e a primeira missão aqui é investigar o propósito da revista de acordo com as correspondências no céu na sua estreia e, ao mesmo tempo, sugerir aos leitores como aproveitar o momento seguindo o nosso fluxo na natureza.

Vertigem vem do latim ‘vertere’, girar, e me remete aos giros que o Aprendiz faz ao despencar da Torre na jornada da alma narrada pelo Tarô, quando as estruturas consolidadas começam a ruir.  Muitos paradigmas estão caindo, realmente, não só no universo da imprensa. E o movimento empreendedor das anfitriãs da revista é a coragem que vem de Urano em Áries, que está em quadratura com Plutão em Capricórnio, a rebelião ao poder (a mídia formal ainda é a grande aliada do poder quando se trata de emitir mensagens à massa). Esse aspecto atua no plano coletivo e representa as transformações geracionais. Urano estava em Áries, diga-se de passagem, no período da crise de 1929. Netuno em Peixes recebe aqueles que caíram da Torre para auxiliar a dissolver as crenças no sistema vigente e nutre o sonho num futuro ainda desconhecido. A Vertigem é o sonho de quem cai no mundo cheio de fé e convicção de que mudanças são sempre para melhor. A Vertigem é uma sensação inerente à condição do ser humano. Aquele que decide não se resignar encarcerado nas estruturas cristalizadas habitua-se à Vertigem como parte do caminho de desconstrução e então, renascimento.

Não vão faltar empenho e serviço, pois será abençoada pelos dons virginianos, já que Júpiter, o ‘grande benéfico’, segue em Virgem até setembro de 2016: análise crítica, seletividade, purificação, método, planejamento. A Vertigem nasce aterrada em solo fértil e prosperará à medida que for mostrando seu serviço. A sua produção criteriosa será o seu cartão de visitas. Júpiter em Virgem sugere um zelo com temas que privilegiam o cuidado com a Terra (natureza, ecologia e sustentabilidade) e a qualidade de vida (corpo físico e saúde).

Mercúrio em Escorpião conjunto ao Sol: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” —  a narrativa da Vertigem provoca um novo olhar sobre as coisas, terá profundidade e terá recursos para fazer uso de investigações, análises de discurso. A palavra tem o poder de transformar. Lembrando que a diferença entre o veneno e o remédio é apenas a medida, a dose. A fala da Vertigem não será fútil, pretende tocar a alma e comover. Sexualidade, morte e transmutação não serão assuntos tabu por aqui.

Os valores da Vertigem, e com os quais o céu também está nos agraciando a todos, são os valores desta Vênus domiciliada em Libra: beleza, harmonia, diplomacia, sofisticação, prazer. Os ventos da Vertigem trarão notícias e boas novas do universo das artes, estética, beleza, entretenimento, gastronomia e cultura. A posição também garante boas parcerias e contatos. Marte também está em Libra: em tempos de guerra, a arte salva.

Um desafio são os alicerces que vão fundamentar a base da revista. É preciso respeitar as leis do Senhor do tempo: Saturno em Sagitário indica que a maturidade pode ser atingida através da academia, filosofia e religião. Num mundo onde há tanta disparidade em relação à ignorância e à elevação de consciência, é importante ter responsabilidade com as verdades alheias e conflitos acerca de religião e filosofia de vida. Esses assuntos não devem jamais ser tratados com superficialidade ou leviandade. E é possível que a própria comunidade da revista se afine em uma filosofia, ideologia ou trabalhe como uma egrégora dando o suporte para que os ideais da Vertigem sejam elevados.

A Lua em sua fase crescente (Lunação de Escorpião) traz a oportunidade de mergulharmos mais fundo nas transformações. O autoconhecimento é uma via para sermos aquilo que já somos em essência, mas é interessante perceber que para isso, devemos estar cientes que teremos que morrer para o que já não somos. A Lua em Peixes deixa margem para que este caminho possa ser trilhado rio acima ou rio abaixo. Nadar contra a maré exige mais esforço, e há riscos de afogamento, sensação de não pertencimento e sofrimento. Nadar a favor da maré, sabendo separar as suas questões pessoais e as coletivas, é uma alternativa sábia. É preciso fazer uso da inteligência emocional para não se afogar. Usar a sensibilidade e a intuição da Lua em Peixes para fluir nas águas da poesia e do universo lúdico e encantado. A Vertigem, ao cair da Torre nas águas do mundo, é um caminho que os que tentam despertar percorrerem com entrega. Porque sabem que estão em vias de penetrar num universo onde nos reconheceremos fazendo parte do todo. Boa Vertigem!

Sol em Escorpião (até 22.11.2015)
Lua em Peixes (até 21.11.2015)
Mercúrio em Escorpião (até 20.11.2015)
Marte em Libra (até 03.01.2016)
Vênus em Libra (até 5.12.2015)
Júpiter em Virgem (até 9.09.2016)
Saturno em Sagitário (até 20.12.2017)

Paula Maia é carioca, geminiana, trabalha com terapias que buscam o equilíbrio energético e é amante da natureza e da astrologia. Escreve neste espaço às segundas-feiras. E-mail: paula.mmaia@gmail.com

 

Imagem: o quadro ‘Noite Estrelada Sobre o Ródano’, de Van Gogh

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