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Engole o Choro

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Eu acho que ser mãe é

Eu nunca encarei a maternidade como uma coisa exclusivamente mágica e linda e plena. Não acho que seja ruim, mas sei que tem hora que dói, que dá vontade de fugir, de morrer (eu já tive, desculpa…). Ainda assim, eu tento dar pros meus filhos o melhor de mim. Esse talvez seja o grande desafio e o grande barato da coisa. Aqui eu pretendo falar desse assunto sem filtro colorido. Quando você estiver sozinha, no cantinho, pronta pra se afogar de chorar, chega aqui. Tô de mão estendida!

Pra começar, vamos esclarecer umas coisas sobre essa nobre atividade que alguns classificam como “padecer no paraíso” (odeio essa expressão com todas as minhas forças, ainda farei um texto sobre isso). Pra você me conhecer um pouquinho, vou começar te contando que, pra mim, a maternidade é:

Incrível. Apesar de ser clichê, é verdade (e os clichês não existem exatamente porque são verdade?). Aliás, talvez aqui eu destile todos os clichês do mundo, mas vou te contar que ter filhos é realmente uma experiência muito sensacional. Os meus, pelo menos, me ensinam muitas coisas e a principal delas é exatamente “como ser mãe”. É, meu bem, porque você pode ler todos os livros do mundo, mas nenhum vai te preparar pra realidade. Com os meus filhos eu me permito rir muito mais do que antes ­e chorar também. É de fato inexplicável ser parte do crescimento de uma pessoa, é emocionante ver um pouco de você nas suas crias. Não acho que só quando a gente tem filhos é que descobre de verdade o que é amor ou felicidade, mas, sem dúvida, com eles os dois são bem intensos.

Um exercício de paciência. Não estou falando daquela hora em que a criança faz birra e chora, grita, esperneia no meio do shopping. Isso, com um pouco de otimismo, é exceção. É no dia a dia mesmo, na quinta noite seguida que você vira com o bebê no colo (não, sua vida de balada não te preparou pra isso), na guerra diária travada na hora do banho, na infinidade de vezes em que você tem que repetir a mesma música, a mesma frase, a mesma brincadeira, a mesma resposta, a mesma negativa etc. etc. etc. E não existe deixar pra lá. Nunca.

Uma lição de humildade. Você não precisa se anular, você não precisa virar uma maltrapilha, mas você precisa entender que a prioridade vai ser o seu filho, por algum (longo) tempo. Não é por mal, não é porque ele não te ache importante, é só porque ele não sabe fazer quase nada sozinho. E é você que tem que ajudar. Ele não quer que você pare de se cuidar, mas ele precisa que você cuide dele também.

Entender­-se humana. E, por isso mesmo, aceitar ajuda. Todo mundo pode chegar no limite, não é errado, nem faz de ninguém a pior mãe do mundo. Reconhecer isso é que vai fazer da gente uma mãe melhor, eu acho. Não tocam sinos, não tem magia, não tem glow. Pelamor! É vida real, durinha como sempre.

Bom, mas tem hora que é ruim. E não é assim tudo nessa vida?

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamaseticia@gmail.com

Destaque: Quadro ‘Maria Antonieta e seus filhos’, de Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun

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