comp

Viajar sozinha: por que não?

0 Flares 0 Flares ×

Cada vez mais pessoas acreditam que viajar é preciso e que gastar dinheiro em experiências em vez de itens materiais traz mais felicidade. A popularização do turismo se deu com o aumento do poder de compra e fez com que os aeroportos vivam cheios e os pacotes de viagem sejam disputados. A independência financeira e pessoal das mulheres acompanha esse ritmo e se reflete no cenário do turismo: as mulheres viajam mais, inclusive sozinhas, apesar de isso parecer algo raro ou curioso.

No Brasil, elas dominam o ramo de hotelaria e turismo. Segundo pesquisa do Ministério do Turismo, as mulheres são maioria em cruzeiros marítimos (56% em 2011), além de serem as que compram mais passagens aéreas online (60%), conforme apontado por levantamento da agência ViajaNet entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014..

Em muitas viagens, é sempre mais fácil ver duplas ou grupos de mulheres do que uma sozinha. Os receios quanto à segurança e o comportamento machista conhecidos pelas brasileiras são o mote principal de grande número de sites e blogs quando se fala em dicas para mulheres viajarem sozinhas. No entanto, elas estão experimentando mais e mais a prática de ser a sua melhor companhia.

A tecnologista em Propriedade Industrial Ana Cristina Monteiro, carioca, 43, costuma viajar sozinha desde 1997, quando pouca gente pensava em sair do país ou conhecer outras culturas. Já foi a trinta países, e a lista continua aumentando. Para seguir essa trajetória, ela recomenda deixar o medo de lado, respeitando os valores e inspirações individuais, e ter conhecimentos básicos de outros idiomas.

Ana Cristina em Munique, na Alemanha
Ana Cristina em Munique, na Alemanha

Riscos e dificuldades?

Mesmo com os riscos exclusivamente femininos de ter de circular em certos locais com muita cautela, é possível deixar de lado o estigma da fragilidade em viagens justamente pela abertura de conceitos que um passeio pode proporcionar. Afinal, há mulheres em qualquer lugar — basta se informar sobre os destinos para tomar os cuidados e seguir os costumes mais adequados.

Aquelas que moram nas grandes cidades brasileiras, por exemplo, já convivem diariamente com situações de assédio e crimes, entre outras situações da vida corrida nas metrópoles, o que de certa forma deixa-as mais preparadas para conhecer outras realidades fora daqui. “Minha sensação é de que já sobrevivemos a tanta coisa barra-pesada no Brasil que pegar um avião e ir pra outro país é fichinha”, afirma Ana Cristina.

A assistente executiva Poliana Zilli, 34, concorda: “Eu nasci e vivo em São Paulo (capital), em meio a muitos problemas de segurança e ameças constantes, então sempre estou muito atenta a atitudes estranhas.” Ela gosta de viajar sozinha ou com o filho Yohan, de oito anos, e já foi para a Patagônia, Atacama, Amazônia, Alpes, e praias com acesso por trilha. Apesar de preferir viajar para estar em contato com a natureza, ela também é fascinada por arte e museus, portanto, não deixa de apreciar as grandes cidades também.

IMG_8111

A compradora paulistana Bárbara Bozza, 27, fez sua primeira viagem solo ao ir para o Canadá aprender inglês. Atualmente, tem visitado alguns lugares no Brasil, inclusive dirigindo sozinha. Para ela, a maior dificuldade encontrada até agora foi passar protetor solar nas costas.

Viajar para quê?

Há muitas histórias de mulheres que partiram sozinhas para alguma viagem pela primeira vez após algum acontecimento marcante: a morte de alguém querido, uma separação traumática, o fim de alguma etapa da vida. Outras começaram a viajar sozinhas por puro desprendimento ou simplesmente incompatibilidade de agendas dos amigos. Em comum, elas têm a busca pelo novo e pela liberdade de fazer as próprias escolhas.

Além de conhecer pessoas e lugares, viajar traz aprendizados que nenhuma outra experiência proporciona. Apesar de a solidão também fazer parte do processo que contribui para o autoconhecimento, aventuras, novas amizades e até mesmo romances são os fatores que mais colorem as histórias de férias de quem viaja sozinha.

Nas palavras da Poliana, “viajar sozinha é abrir-se ao que você realmente deseja fazer. É a oportunidade de despertar-se para novas perspectivas e possibilidades, e entender que a felicidade só pode depender de você mesma”.

Tatiana Sogabe é jornalista por formação, mas trabalha no mundinho corporativo. Especialista em otimização do custo-benefício em viagens, sabe quando são todos os feriados, mas quer mesmo é dar a volta ao mundo. “Paulioca” que já morou em umas dez cidades diferentes, já viajou de carona e dormiu com caranguejos. E-mail: tatisogabe@gmail.com

 

Imagem em destaque: Bárbara em São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO)

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Pin It Share 0 0 Flares ×