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Engole o Choro

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Calma, Beth!

Filho, para de bater na sua irmã.
Filho, não belisca a sua irmã.
Filho, não derruba a sua irmã no chão.
Filho, não faz isso.
Filho, não.
Filho, NÃO!
FILHO!!!!
FI­LHOOOOOOWWWWWWWWAAAAAAAUUUUUGGGGRRRRRR!!!!

Pronto, sua paciência — aquela mesmo que você jurou que ia ser eterna — já foi pro saco. E você sempre julgou a mãe que gritava com o filho na rua, sempre disse que tem que ter paciência, porque criança não aprende no grito… Você se viu aí, cuspindo pro alto de novo. E às vezes me pergunto se algum dia vou parar com essa prática tão humilhante de tomar um tabefe da vida no meio da fuça sempre que o assunto é a criação dos meus filhos.

Sabe, uma vez conversei com uma mãe que me disse que nunca falava “não” pro filho, porque não queria criá-­lo de forma negativa. Fiquei sinceramente admirada, mas a minha tentativa de fazer isso não durou nem uma tarde. Infelizmente não descobri a técnica de não dizer não quando o filho fala “mamãe, posso pular da janela?”, por exemplo.

Essa amiga me voltou à cabeça com toda força essa semana. Explico: meu filho, de três anos, está enlouquecidamente atacando a irmã, de um. É tanto que às vezes até me surpreendo com a capacidade de dissimular, de sorrateiramente passar pela menina e dar uma beliscadinha (daquelas de unha, pra doer mesmo)… Fico pensando em como é que eu não falaria um belo e sonoro não nessas situações.

Mas é claro que essa não foi a primeira vez em que eu perdi a minha paciência (e quem sabe até a razão? A pensar…) e gritei um NÃO saído do fundo do âmago aqui em casa. Aliás, tem épocas em que a paciência parece que tira férias mesmo… Depois das crises de cólica (aquele momento clássico em que você pensa em deixar a criança em casa e correr pra qualquer lugar bem longe — não que eu tenha feito, mas eu pensei, e pensei muito), achei que nada seria capaz de me abalar. PFFFFF… tolinha! Já me peguei tão, tão sem paciência que até ouvir “mamãe” me irritava — e depois caí em crises profundas pautadas pelo fato de eu ser a pior mãe de todos os tempos.

Esta semana mesmo, depois de uma briga bem chata em casa, deixei meu filho na escola aos prantos — eu, no caso, estava aos prantos. Passei o dia inteiro pensando que precisava fazer alguma coisa pra compensar essa minha descompensada, mas, graças aos deuses todos, mãe é mãe. E foi só me ver de novo no fim do dia pro menino abrir um sorriso e me mostrar que já tinha passado e que, pelo visto, ele também entende que é normal. E que passa. O que fica mesmo é a certeza de que a gente sempre vai estar lá, olhando um pro outro com o sorrisão aberto.

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamasleticia@gmail.com

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