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BH Calling: sexto dia

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Depois de assistir a um debate que pegou fogo na sexta-feira, chegou a vez de nós, jornalistas convidados para a 5ª Mostra Cantautores, formarmos uma (lotada) mesa de bate-papo na tarde de sábado, na Funarte, em Belo Horizonte. Lotada de palestrantes, no caso. Tive a honra de dividir a fala com pessoas que fazem a diferença no cenário musical: Patricia Palumbo, Marcus Preto, Jorge Lz, Debora Pill e Elias Souza, diretor artístico da rádio Inconfidência. A mediação foi de Luiz Gabriel Lopes, da banda Graveola e o Lixo Polifônico e um dos organizadores do evento.

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Debate com jornalistas e radialistas

Patricia falou sobre a rádio Vozes, projeto que entra no ar em fevereiro, na internet. De olho em tecnologias ainda pouco exploradas, a apresentadora do Vozes do Brasil (que vai ao ar em oito estados) quer fazer a rádio de seus sonhos usando os muitos caminhos da rede a seu favor. Na mesa, por sinal, todos defenderam uma mesma ideia: se desapegar dos velhos modelos (já em decadência) e buscar novas possibilidades. No jornalismo como na música. E vice-versa. Rendeu polêmica, mas acredito que todos saíram ganhando com a discussão.

A noite seria de puro encantamento. Para abrir os shows no teatro, o argentino Juan Quintero. Natural de San Miguel de Tucumán, integra o Aca Seca Trio, uma dupla com a cantora Luna Monti (sua mulher) e lançou um disco com Edgardo Cardozo (que já foi atração da mostra e é também muito admirado por músicos da cena de Belo Horizonte). Quintero bebe da fonte do folclore argentino, mas soando de maneira despretensiosa, moderna e delicada, num casamento perfeito entre seu canto suave e virtuosismo no violão. Recebeu o amigo Sergio Santos, grande talento mineiro, para uma emocionada participação em “Equipaje” (do próprio Quintero): Santos foi às lágrimas ao fim da apresentação. Aplaudido de pé, Quintero voltou duas vezes para o bis: primeiro, com a sua “Paloma”. Em seguida, “Amapola”, Juan Luis Guerra, fechando o show. A comoção foi tanta que ficou difícil para quem viesse depois.

O mineiro Sergio Santos (à esquerda) e o argentino Juan Quintero
O mineiro Sergio Santos (à esquerda) e o argentino Juan Quintero

Mas quem vinha era Ceumar, e a cantora manteve a noite à flor da pele. Depois de anos vivendo em Amsterdã, na Holanda, a mineira de Itanhandu (sul do estado) está de volta pro seu aconchego, trazendo na mala, além de saudade, canções que são colo para o público, embalado por sua voz de fada. “É a primeira vez que eu apresento um show com músicas minhas, então é uma emoção dupla”, disse, a certa altura.

Já fazer shows só com voz e violão não era novidade para Ceumar, que fez turnês com o formato e registrou no disco ao vivo ‘Meu nome’ (2009). Ora divertida (“Levitando”, parceria com Déa Trancoso), ora pura emoção (“Mãe”, quando a própria foi às lágrimas), a cantora levou a plateia a um passeio pelos sentimentos. Ceumar é pracinha de cidade pequena, é cheiro de terra molhada, é história sob o céu estrelado, é medo do escuro, é saudade antiga que a gente nem lembrava que tinha. “Eu acho que estou feliz e triste”, ela canta. E quem não está?

A vontade era de mais, muito mais. O público pediu bis, e ela voltou para cantar a intensa “Oração do anjo”. Em seguida, acompanhada de uma rabequinha de duas cordas (uma das usadas por Déa Trancoso dias antes em sua apresentação magnética), encerrou a noite com a animada “Segura o coco”, dela e Di Freitas. Festa no interior.

Kamille Viola é jornalista, carioca da Tijuca e uma das editoras da Vertigem. A música e a palavra são duas grandes paixões. E-mail: kamilleviola@gmail.com

 

Imagens: Pablo Bernardo

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