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BH Calling: sétimo e último dia

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De volta ao Rio, ainda estou com a cabeça e os ouvidos na quinta Mostra Cantautores, em Belo Horizonte, que terminou no domingo. Conheci muitos artistas interessantes, tive a chance de ver ao vivo outros que já admirava, descobri uma cena musical rica e cheia de gente com vontade e disposição para fazer acontecer. E um público respeitoso e apaixonado, para tornar tudo ainda melhor.

Kristoff Silva
Kristoff Silva, primeira atração

A mostra terminou do jeito que começou: com duas sessões de shows no belo Cine Theatro Brasil Vallourec, uma construção art déco recém-reformada, para a sorte de quem já esteve lá. A despedida do evento foi inaugurada pela apresentação do mineiro Kristoff Silva, um dos destaques da cena de Belo Horizonte atual. Virtuosismo ao violão, voz suave, Silva apresentou canções próprias como “Rabiscos” (parceria com Bernardo Maranhão), e ainda contou com duas intervenções (não programadas) de crianças da plateia que tiveram tudo a ver com o clima delicado de sua apresentação.

Luiz Tatit
Luiz Tatit foi garantia de risadas

Em seguida, foi a vez de Luiz Tatit (o homem, o mito) fazer a plateia levitar com seu talento, inteligência e bom humor. “Baião do Tomás” (dele com Chico Saraiva), “Perdido” e “Olhando a paisagem” foram algumas das músicas do paulistano que levaram todos às gargalhadas. Para a também divertida “Sem destino”, Tatit chamou Kristoff Silva, que fez o arranjo da canção. E emocionou com “Capitu” e “Baião de quatro toques” (parceria com José Miguel Wisnik). Diante do pedido de bis, voltou e arrancou mais risadas com “Essa é pra acabar”.

Na segunda leva de shows, Pedro Morais encarou o desafio de se apresentar para o público de Vander Lee. E se saiu muito bem, por sinal, seguro e à vontade. Sem medo de ser pop, cantou músicas como “A fúria do infinito”, “Bilhete” (um poema de Mario Quintana musicado por ele, uma graça) e “Gasolina”, antes da qual falou sobre a tragédia ambiental causada em Minas pela empresa Samarco.

Pedro Morais encarou tranquilo a plateia de Vander Lee
Pedro Morais encarou tranquilo a plateia de Vander Lee

Mas o artista mais pop de todo o evento fechou esta edição. E Vander Lee não perdeu tempo: logo de cara, mandou um sucesso: “Iluminado”. “Quando canto essa música, tenho vontade de gritar ‘gol'”, brincou. A apresentação, por sinal, foi marcada pelas piadas do cantor e compositor, que se mostrou ótimo piadista. E jogou para ganhar, com um repertório cheio de músicas que fizeram a alegria de seus fãs. “Românticos”, “Estrela” (gravada por Maria Bethania), “Pra ela passar” e “Desejo de flor” foram algumas que transformaram o Teatro Cine Brasil Vallourec num imenso coral.

Uma forte chuva ao fim do show deu um ar melancólico à despedida da Mostra Cantautores. Mas a comemoração de encerramento, n’A Casa de Cultura, com a banda O Vitelo C, adiou um pouco a tristeza do adeus. Viajei tanto na sessão instrumental (completamente de improviso, explicaram os locais) que acabei esquecendo o celular por lá. Uma boa alma me devolveu ele, são e salvo, e assim eu pude voltar para casa tranquila. Na mala e no coração, a bela música das Minas Gerais.

Kamille Viola é jornalista, carioca da Tijuca e uma das editoras da Vertigem. A música e a palavra são duas grandes paixões. E-mail:kamilleviola@gmail.com

 

Imagens: Pablo Bernardo

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