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Engole o Choro

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Pai de menina

Maternidade tem mesmo muitas questões, mas hoje eu queria pedir licença pra falar com um pai. Não qualquer pai, o meu. Porque hoje é aniversário dele e este ano me deu vontade de dizer várias coisas. Nem todas cabem aqui, mas nesses tempos tão estranhos, acho que meu pai merece alguns *parabéns* e *obrigados*. Então, pai, eu queria te dizer o seguinte:

Parabéns por ser um pai que nunca se lamentou por ter só filhAs, muito pelo contrário, que sempre se orgulhou das suas meninas. Não com aquela postura idiota de nos tratar como princesinhas intocáveis, de fazer piadinha sobre matar ou espantar namorados, nada disso. Sabe aquele comentário completamente dispensável sobre “passar de consumidor a fornecedor”? Pois é, nunca vi você fazer e, sabe, isso me enche de orgulho!

Obrigada por se orgulhar da gente pelas nossas conquistas, por nos incentivar a buscar sempre o melhor de nós e, principalmente, por nunca dizer que não poderíamos isso ou aquilo porque somos mulheres. Olha, pai, atualmente tá bem difícil ser mulher sem passar por alguns perrengues e por inúmeras irritações todo dia, mas não ter passado por isso em casa ajuda bastante.

Hoje nem preciso dizer o quanto me alegra ver o cuidado que você tem com os meus filhos (vou contar pra vocês uma coisa: ninguém no mundo consegue fazer meus pequenos dormirem mais rápido que meu pai. É tipo um dom mesmo, uma coisa sobrenatural, eu diria) e acho até engraçado como você se derrete pra minha menina, porque me dá a impressão de que você se lembra é da gente, de quando eu e minha irmã éramos crianças. Uma vez comentei isso com a minha mãe e ela nem respondeu, só riu, então acho que a minha impressão faz muito sentido.

Por falar nos meus filhos, lembrei de uma coisa que ilustra bem o que eu quero dizer sobre você. Quando eles nasceram, depois que fui pro quarto, minha mãe me contou, nas duas vezes, que você ligou. E que enquanto ela contava como as crianças eram lindas e saudáveis e todos os adjetivos fofos que uma avó é capaz de dizer, você falou: “Eu quero saber da Leticia.”

Bom, tem mais um monte de coisa, mas pra não me estender demais vou ficar só com mais uma, que pra mim significa muito: obrigada por nunca deixar de cuidar.

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamasleticia@gmail.com

 

Imagem: ‘Eugène Manet on the Isle of Wight’, Berthe Morisot

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