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Prisma

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Vamos fugir desse lugar, baby

Minha relação com o mato nunca foi das melhores. Pânico de insetos voadores, de plantas com formatos esquisitos (se forem peludas, então, multiplique o medo por três), alérgica grau máximo a picada de mosquitos e abelhas. Num certo ano, cansada dos folguedos urbanos tão artificiosos do Réveillon, decidi partir para Ilha Bela. Queria um recanto recôndito, bucolismo, a sombra debaixo das árvores, o torpor luxuriante das praias selvagens. Selvagem?, como perguntariam os Paralamas do Sucesso. Aquele Réveillon foi o grande fracasso das viagens de minha vida. Primeira praia que achamos, areia branca como esta folha digital que ainda não está preenchida, localizada entre alguns galhos pendendo de um matagal algo alto. Lá vamos nós, meu namorado e eu, aventureiros criados vendo ‘Riacho doce’ e ‘Mulheres de areia’ na Globo. Descemos uma trilha pouco íngreme e, logo, a água ilumina as vistas como lâmpada azul numa decoração rústica. Até barco abandonado com redes de pescadores que mais parecem teias de aranha gigantes nós temos no cenário sob medida para piratas da Sessão da Tarde. Não há viv’alma por perto. O silêncio é quase absoluto, já que o mar não tem onda. Adentramos a colcha azul prontos para sermos ninados quando… NHAC! Um caranguejo resolve enfrentar um pé forasteiro de humana de Ipanema. Ah, minha doce praia urbana jobiniana Arpex arpeggio, Barril 1800, Colégio São Paulo, Francisco Bhering, onde o maior perigo é um Diabo que ninguém ousa enfrentar em seus dias mais tirânicos, um Diabo que não oferece surpresas nas encruzas. Levo a mordiscada e canto Chico Science mentalmente, ignorando que pudesse haver ali outros animais menos cândidos em seu “chega pra lá”. Minutos depois, aos risinhos ternos que queriam esconder uma certa inclinação assustadiça, o namorado, que nunca se assusta, berra: “Passou uma ARRAIA!” Não quisemos mais saber da brincadeira e saímos correndo como dois paspalhos que só sabiam curtir a vida adoidado com cultura pop. Que desgraça, eu queria tanto pertencer a um vilarejo de pescadores e cantar “At the harbour” do Renaissance ou “Cais” do Milton toda melancólica, pousando os olhos sobre as quilhas e mastros no fim do dia…

Mas nem arraia nem caranguejo poderiam ser mais destrutivos que o nativo mais hospitaleiro de Ilha Bela, que foi dada de presente à Princesa Isabel, e eu nem quero imaginar o que acontecia aos europeus pregos cheios de pregas e babados, sem repelentes, naquele lugar, nos idos do século 19. Ah, sim, suas dezenas de camadas de roupas deviam protegê-los dos ataques do tal nativo, o borrachudo. Tomei muitas picadas nas praias menos escondidas que consegui visitar no meu único dia em Ilha Bela, por mais que me enchesse de repelente, a ponto de pensar em inventar um drink com Off como base, mas sinal de alergia, necas. Já estava zombando da fama de paraíso dos borrachas porque só dava umas coçadinhas de leve, enquanto meninas desfilavam em carne viva ou completamente empoladas diante de mim. No entanto, como a minha vida é um troço surpreendente, onde eu fui ser atingida em cheio e sem clemência? No quarto da pousada! Justo lá, no meu cantinho com ar-condicionado. Tinha adormecido enrolada na toalha e tomei o beliscão do inseto maldito bem na parte interna da coxa, perto da virilha. Em vinte minutos, eu estava no único hospital da cidade, com a coxa do tamanho da de um lutador de MMA e querendo coçar até o espírito da Princesa Isabel. Foi quando entrou um rapaz com um tiro na mão, vindo de uma briga espetacular. A polícia veio junto. E o único médico em plantão, atônito com o ferimento grave do rapaz, perto da meia-noite, virou pra mim e disse: “Vai pra São Paulo, agora. Foi a pior reação alérgica que eu já vi”, depois de aplicar um tantinho de cortisona. Finda a aventura no hospital Nove de Julho, sã e salva na grande metrópole cinza, com mais uma enxurrada de cortisona na veia.

Meus pais eu dividi assim por muito tempo, diria que por toda a minha infância: papai – cidade grande, mamãe – mato. Mamãe era mineira, criada no interior, amava os bichos, principalmente, os cavalos, dizia todos os dias que nunca tinha sido tão feliz quanto em Águas de São Pedro, interiorzão de SP. Sua família teve sítio em Miguel Pereira por um bom tempo, e recordava seriamente nostálgica os fins de semana em que passávamos lá. Eu era muito pequena pra lembrar, mas podia comprovar a alegria verde ao ver as nossas fotos de família feliz em cachoeiras e rios. Dizia também que ia abandonar a advocacia e fazer UFRRJ, queria cuidar dos equinos. Meu pai achava a maior graça, porque nunca permitiria aquela virada de vida. Ele não vivia sem barulho, sem seu Chevrolet Opala pra ir à esquina, sem TV pegando bem (isso mesmo, não havia transmissão decente de TV no mato nos anos 1980) e videocassete pra gravar seus programas e filmes favoritos, sem as idas semanais ao cinema Roxy, sem o vício do binóculo para assistir aos rituais dos vizinhos nos seus compartimentos, sem as bancas de revista multicoloridas, sem a comodidade e variedade dos grandes supermercados e shoppings, sem antiquários, galerias e museus, principalmente. “Cidade grande é civilização”, ele vivia dizendo, com medo de virar o Lobo da Estepe. Mas meu pai não avançou mais que o ano de 1994 na Terra, e eu me pergunto se ele acharia que isso (Rio de Janeiro capital) em que estamos vivendo, se parece mesmo com “civilização”. Tenho certeza que não.

Estamos sendo bombardeados com uma mensagem que brota imperiosa como um girassol em sites, revistas, filmes, programas de TV: FUGERE URBEM, do latim, ‘a fuga da cidade’, aquela frase-chave do movimento literário árcade ou da poesia campestre que aprendemos na escola. O arcadismo era, em resumo, o símbolo em prosa e verso da então burguesia ascendente, de saco cheio dos ditames da Igreja e da nobreza e dos excessos do Barroco que correspondiam à riqueza ornamentada, ao fausto proporcionado pela tirania de sangue azul. Essa burguesia queria a simplicidade do campo, exaltar os prazeres da vida, o paganismo, um ‘back to basics’. O famoso ‘carpe diem’, do latim, ‘aproveite o dia’, era um dos lemas dessa galera que, contraditoriamente, não abandonava os centros urbanos, onde giravam os seus negócios. Hoje, a burguesia vencedora, que vive a derradeira era do Barroco do Consumo criado por ela, que está parada no século 18, habitando os mesmos centros urbanos que, agora, padecem de irreversível inchaço e que vivem de negar os prazeres mais simples a ela, não quer mais fugir, parece, mas sim, construir uma nova cidade, na qual os avanços tecnológicos que ela conquistou não se igualem a poluição, violência, privação de direitos básicos, escassez de recursos, maltratos ao meio ambiente que resiste a ser asfaltado.

Não é nenhuma novidade que estamos vivendo no limite da saturação de um modelo de aglomeração humana. Os assuntos têm, invariavelmente, girado em torno da grande decadência de um sistema de produção, e sentimos nas mais banais atividades cotidianas, assim como na própria pele, que os recursos naturais estão se esgotando, enquanto nosso território digital não para de expandir e oferecer possibilidades cada vez mais múltiplas, mas que vão além da comunicação e começam, timidamente, a apontar para uma revolução justamente daquele sistema de produção condenado. Essa verdade grita no seu engarrafamento, na sua conta de luz, na sua falta d’água, no seu cubículo sem vista e sem ar, no seu lixo entupindo rios e oceanos nos quais você depois pega doença, na sua comida envenenada que obriga você a tomar quilos de remédios que o envenenam mais ainda, na sua cidade civilizada onde tem mais farmácia que sala de cinema e centro cultural.

Sabemos disso, lemos sobre isso, pensamos sobre isso todos os dias e vamos nos (des) equilibrando entre dietas de orgânicos, perfumes naturais, roupas compartilhadas, bazares e quermesses modernas com pequenos artesãos e produtores. Mas ficamos nos criticando por isso, nos sentindo os caçadores da arca perdida, hipsters ridículos que querem brincar de Escandinávia na pobre e descrente América Latina que marcha para o fascismo, tiramos sarro uns dos outros, se não pela frente, pelas costas, das escolhas ditas conscientes. Alguns de nós desconfiamos do quanto de consumo com uma nova roupagem, mais verde e mais 100% linho natural, tem toda esta manobra, que é tão plástica publicitariamente. Estariam os burgueses de hoje repetindo a façanha dos burgueses árcades do século 18? Estão eles dispostos a abandonar os confortos custosos da urbanidade e prontos pra arregaçar as mangas pra erigir uma nova civilização ou só estão a fim de fazer fogueira e luau num matinho tranquilo dizendo versos verdes do The Guardian e da Wired? Alguns mais ingênuos, menos informados ou mais antiquados — mas se dizendo mais realistas —, ainda sonham em emular a equação classe média alta dos anos 1980, apartamento na cidade + casa no campo para o lazer dos feriados e fins de semana. De quando se conseguia chegar a esses destinos sem ter enfrentado nós de horas e mais horas no trânsito, claro. Mas essa equação cara é cosmética e se prova inútil, até porque, hoje, há outros tipos de mobilidade que desqualificam essa locomoção, e isso eles já são capazes de perceber.

Então, a novidade será quando chegarmos a um híbrido de cultura e natureza — a dupla dinâmica que o diretor francês Michel Gondry tanto explorou em seus videoclipes noventistas e em seu primeiro longa, ‘Natureza quase humana’, de 2002 — no qual possamos viver como uma espécie de macaco-máquina ou robô-mamãe-natureza. Algo que os escritores e cineastas de ficção científica não puderam plasmar em suas encenações prateadas do século 21. Dá pra começar a visualizar alguns signos dessa nova construção e, ao mesmo tempo, perceber o quanto de trucagem marqueteira já tenta transformar uma nova guinada sociocultural e econômica em mais um produto na prateleira, ao ler a edição especial de Casa Claudia, “Anuário Tendências 2016”, que está nas bancas. Numa sacada genial, mostrando muito bem como a gente separou o que precisa ser amalgamado, a revista divide-se entre tecnologia e natureza como se fossem dois capítulos, com duas capas e sem contracapa, virando de cabeça pra baixo quando o leitor chega ao fim de uma das suas duas partes. As capas só mudam os verdes de tonalidade e, ardilosamente, trocam a ordem dos fatores, sem alterar o resultado: numa, “natureza extrema e tecnologia silenciosa: dois desejos que definem como iremos morar nos próximos tempos” e, na outra, “tecnologia silenciosa e natureza extrema”…

No recheio, a carta direta e reta e muito bonita do diretor de redação da Casa Claudia, Alexandre Ferreira, apresentando a edição, recapitula que, cerca de seis mil anos atrás, criamos nossas primeiras cidades; em 1950, 30% dos habitantes do planeta moravam nelas; em 2014, 54% da população mundial já vivem em áreas urbanas e o prognóstico para 2050 é que esse número chegue a 66%. “Nossa espécie promoveu uma agressiva ruptura com a natureza e os outros seres vivos em apenas três gerações”, ele declara, lembrando que há apenas 200 mil anos aconteceu a evolução do homem arcaico para o moderno. E como essa vontade de verde se expressa no design de interiores? Os interiores estão muito mais exteriores. O movimento é claro para quem acompanha o tema e não falta muito pra que uma revista como a Casa & Jardim passe a se chamar “Casa-jardim”. No início deste ano, redecorei o quarto da minha filha de quatro anos, que estava quase que completamente obsoleto, com móveis, objetos e configuração baby. Intuitivamente, meu movimento foi na direção de um jardim interno, um jardim-cenário em pleno apartamento antigo de tacos incrustado na barulhenta área central-Zona Sul do Rio de Janeiro. Cobri o chão de grama sintética, instalei uma árvore de madeira, reaproveitada de uma creche, na parede. Desenhei e mandei fazer uma cama estilo namoradeira em ferro que mais parece um banco nostálgico de praça. Adornei a estante com planta de plástico. Finquei uma cabaninha de índio no meio do cômodo. E os materiais de pintura, colagem e desenho ficam disponíveis dentro de cerquinhas penduradas ao lado da árvore. Uma das luminárias é um cogumelo, e esculturas e quadros de bichinhos pipocam por todo lado. Dá a sensação de que estamos ao ar livre e que joaninhas e besouros podem brotar da grama que espeta a qualquer momento, enquanto lemos histórias dentro da toca. A sensação é boa, mas será que dá pra continuar levando uma vida cenográfica?

No anuário, a gente entende que dá pra levar vida cenográfica, mesmo quando se está vivendo num delírio tarzânico, numa casa na árvore no meio do nada, sonho de muita gente. A matéria “Terra do nunca”, reproduzida do The New York Times, conta a história de Foster Huntington, ex-designer da Ralph Lauren, que trocou o burburinho de NY por uma casa no alto de um pinheiro numa floresta numa cadeia de montanhas em Washington. A construção é pra lá de engenhosa e vem acompanhada de uma gigantesca pista de concreto para skate. Mas você pergunta: “De onde este Indiana Jones de 27 anos está tirando seu sustento e como ele conseguiu essa propriedade?” A casa na árvore fica num terreno que pertence aos pais dele, corretores imobiliários “adeptos da vida ao ar livre”, como diz a reportagem. E Foster está “emprestando seu estilo de vida peculiar” para anúncios de mamutes como a Allianz, maior seguradora do mundo, que vai proteger os carros — os bens de consumo mais importantes nas metrópoles — dos cidadãos não peculiares. A HP e a grife Patagonia também estão usando a imagem de garotão ‘Lendas da Paixão’ para capitalizar suas marcas. A conta de Foster no Instagram tem 900 mil seguidores e ele tem um projeto/site/blog chamado “A restless transplant” que vai virar livro. Árcade mais esperto, esse! E qual é a grande mudança de vida que ele está inspirando, mesmo?

Mas tem o lado sério e consistente do fenômeno. “Construir utilizando técnicas mais sustentáveis e encontrar a harmonia, que se perdeu nas últimas décadas, é um dos focos criativos mais vibrantes da atualidade”, defende Alexandre na sua carta editorial. Usar a tecnologia para otimizar recursos naturais, resgatar materiais naturais lançando mão de técnicas menos agressivas, empregar cooperativas e reaproveitar são as palavras de ordem. Em suma, um retorno ao artesanato, mas no qual métodos século 21 de produção estão a serviço de conhecimentos ancestrais, afeto tribal e da pequena escala. Mais ou menos como num clipe de Gondry, em que maquetes analógicas se misturam a efeitos digitais hi-tech. Mais ou menos como o primeiro disco de May East, a eterna absurdette da Gang 90 criada por Júlio Barroso, uma das bandas mais importantes na música popular brasyleira, que fez techno-baião em pleno 1985 e uma música eletrônica regional-universal na sua estreia solo, unindo sotaques, juntando índio com nordestino com new wave inglesa com árabe com Egito com lampião de gás com sintetizadores com Oxum. Aliás, May East, que se mudou para uma ecovila na Escócia há cerca de 20 anos, quando alimentação orgânica e morar sustentável passavam longe de ser tendência, é ativista premiada da ONU e diretora da fundação Gaia Education, programa vinculado à Organização, que dissemina o conceito de urbanismo sustentável. A revista Trip fez ótima matéria sobre ela, assinada por Olivia Nachle e com palavras luxuosas do jornalista e escritor Eduardo Logullo, que foi produtor da performer e “artivista”, como ela se define (artista + ativista), nos anos 1980. Lutando pela transformação das metrópoles, May East disse à revista que “nós estamos estamos fazendo um duplo papel, somos enfermeiros de uma civilização obsoleta e parteiros de uma nova forma de viver”.

A pergunta que fica na minha cabeça enquanto parto para um Réveillon entre a praia, o mato e a civilização, num balneário mais afastado da capital, é como vamos conseguir viver fora da ficção do consumismo. Nós, humanos que circulamos pelas cidades aí afora, parafraseando Supla, sabemos que sempre vivemos grandes ficções — Igreja, arte, imperialismo, capitalismo —, será que estamos almejando o fim das ficções com essa vontade de encarnarmos o ‘bom selvagem’, ou será que já começamos a escrever a ficção da total integração da natureza com a cultura, que significa, neste ponto, vida digital? Será que não estamos apenas reverenciando uma forma verde de luxo? São perguntas filosóficas que provavelmente não poderão ser respondidas nem em 50 anos, mas sobre as quais podemos e devemos ganhar pistas todos os dias ao procurarmos ler sobre iniciativas e movimentos como o Cidades em Transição.

É com essas ideias que eu venho flertando há algum tempo, desde que estava nos estertores da vida corporativa. Pra mim, não faz mais sentido ir me refugiar nas areias escaldantes do Arpoador em mais um verão para reclamar e ouvir reclamações sobre as mesmas coisas de todo ano. Não quero repetir o texto da covardia e falso engajamento. Nas últimas horas de 2015, sinto vontade de viver entre o retiro estudioso no campo e uma turma que faça sentido, que esteja afinada com o que o século infante pede. Eu, que ouço o vento miraculoso da mudança batendo, enquanto anoto os planos para 2016, que têm a ver com a eliminação de hábitos e comportamentos que não servem mais, percebo um sinal (verde) de que uma nova forma de viver está sendo gestada. Se, em mais ou menos breve, serei apenas mais uma hipsterzinha brincando de Inhotim particular, só o tempo vai dizer. Mas o que eu quero que ele diga, daqui a 20, 30 anos, é que a experiência de viver neste planeta mudou para todos e que todos podem usufruir do que a terra dá com a sabedoria do homem que faz parceria com o reino natural, em vez de dominá-lo, chegando aos píncaros da inteligência artificial para tornar a existência mais… natural, instintiva, livre, bela e justa. Conseguirei eu encarnar esse híbrido em mim mesma, metade meu pai, metade minha mãe, produto da amante do mato reprimida e do amante da civilização que nunca conseguiu se libertar de sua obsessão pelo acúmulo de objetos? Oxalá 2016 aponte um caminho de maior equilíbrio pra que você e eu não tenhamos mais que fugir quando o fim do ano chegar.

L.A. é um caleidoscópio: escritora, poeta, jornalista, agitadora cultural, curadora, DJ, artista visual, decoradora, ocultista, mãe, geminiana e o que mais não couber em duas linhas. E-mail: leilah.accioly@gmail.com

Imagem: Instalação “Harmonious Diversity”, do estúdio TeamLab. Plantações de arroz japonesas foram recriadas por meio de telas.

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