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Prisma

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David Bowie: um videoclipe na minha vida

Na Prisma de 8 de dezembro de 2015, um mês antes do último aniversário de David Bowie, escrevi sobre a morte de Scott Weiland, roqueiro de muito menor expressão, mas que fez seu bom barulho e uma bela marola nos anos 1990, e mais um dos famosos devotos de David Bowie. Em dado momento, eu disse: “Não quero que a morte agigante Weiland artificialmente. Não sovem Weiland de homenagens, tornando-o maior do que foi. Ele, que tanto perseguiu ser como o larger-than-life David Bowie, o dono de montanhas, mas que tudo que conseguiu foi carregar a pedra de Sísifo pra cima e pra baixo.” Menos de 20 dias depois, eu estaria na minha sala, rodeada de amigos, assistindo ao clipe nem tão recém-lançado de “Blackstar”, em plena ceia natalina. Todos impressionados e um certo mal-estar pairando entre as luzes coloridas da árvore e a TV sintonizada naquela soturnália, meio sobre o conflito entre religiões e raças, com Bowie no papel de messias portando uma bíblia da estrela negra, meio sobre a saga de um homem que se vê à beira da morte, bem apropriada para o início do século 21. João Paulo Cuenca, de repente, avisa que Bowie tinha soltado mais uma música do novo álbum, que viria a lançar no dia de seu 69º aniversário. Era “Lazarus”, um número ‘jazzy’ desolador, trazendo um sax oitentista de cabaré brumoso de volta, mas com muito mais bile que nas canções ‘absolute beginners’ das FMs da madrugada carioca. A letra passava na tela com fundo preto e era claro que se tratava de morte, mais uma vez, e ainda mais intensamente. Bowie soou cansado, bastante cansado para mim, mas com um sopro metálico de inovação envolvendo-o, mesmo que atrás de uma névoa impertinente. Estava ali a síntese de 2015, um ano pesado e enevoado, embora cheio de pequenas redenções e realizações agridoces.

Corta para 1986. Minha primeira memória de uma canção de David Bowie data desse mágico ano em que eu começava a entender realmente o que era música: “This is not America” (sha-la-la-la-la). Meu pai tinha começado a gravar videoclipes por influência minha. Existia naquela época um bicho analógico chamado videocassete e havia dois sistemas de operação desse bicho, algo como Android e iOS. Os sistemas eram VHS e Betamax, e meu pai tinha optado pela Apple dos videocassetes, afinal, era a Sony que adotava esse sistema e a Sony era a favorita dos que gostavam do bom design, como meu pai. Com o seu Sony Betamax novinho em folha, promoção de Copa do Mundo 86, o lance era começar a diversão. Ganhamos uma fita-teste de brinde com duração de 15 minutos, que beleza. Mas o que caberia em tão pouco tempo? Filmes, novelas, seriados, nem pensar. Meu pai sempre adorou propagandas comerciais, mas… Eu vim com a ideia, do alto de meus precoces sete anos: “Grava clipe, pai!” Àquela altura, a gente já era viciado num programa pra lá de obscuro chamado ‘Skretch’, que passava de meia-noite às 5 da manhã (!), de segunda a sexta, na TV Corcovado, canal 9. Era a pré-MTV Brasil. Imagino que a audiência desse programa não ultrapassasse meio ponto percentual. Foi aí que começou a coleção de videoclipes que chegou na casa dos oito mil.

Mas, voltando a 1986, o clipe de Bowie que estava em alta rotação naquele momento era “This is not America”, que, curiosamente, não tem uma única imagem do popstar inglês. Essa canção, que fez relativo sucesso radiofônico no Brasyl, foi tirada da trilha sonora do filme “The Falcon and The Snowman” e seu clipe só traz imagens da película, que tem Sean Penn no elenco. A composição, tampouco, é de Bowie, mas sim do grupo de jazz fusion Pat Metheny Group (muito bom, aliás). A letra, sim, é dele. E a voz de ‘crooner’ sofrido também. E foi o suficiente pra me deixar vidrada. O primeiro contato que se trava com a voz de Bowie é um choque, como um banho de cachoeira em dia estourando de quente. Quem seria aquele moço que fazia aquele falsete perfeito, “there was a tiiiime”, sobre aquela melodia atmosférica, profundamente misteriosa e triste? A combinação da letra, “um pequeno pedaço em mim, um pequeno pedaço em você vai morrer”, com o voo do falcão no clipe marcou minha infância e eu comecei a querer mais.

Mas meu pai não tinha um disco sequer de Bowie, embora se simpatizasse com o que chegava a ele pelo rádio. Meu pai nunca tinha sido o cara cool que ouvia punk, glam ou art rock nova-iorquino. Ele era da turma pouco ‘fashionable’ do rock progressivo. Nos anos 1980, começou a se render ao pós-punk, à new wave e ao pop contemporâneo de Cyndi Lauper e Madonna, e eu, já criança, comecei a influenciá-lo, clamando por B-52’s, Billy Idol e Duran Duran. Importante lembrar que vivíamos numa sonífera ilha naqueles tempos, e que a informação não chegava nos estranhos picos da América do Sul. Conseguir discos desconhecidos do grande público era possível somente para quem viajava regularmente, e meu pai tinha trazido sua rica gama de obscuridades dos tempos em que viveu na Itália e que trotava pela Europa com seus pais, na adolescência. Naquele momento, bem presinhos nas responsabilidades em território brasilis, ficávamos reféns da Fluminense FM, da revista Bizz e dos programas de videoclipe da Manchete, Globo, TVE, TV Rio, Bandeirantes e TV Corcovado. O ‘Skretch’ era disparado o mais ‘avant’, o mais moderno e esquisito. Ainda lembro de quando eles passaram trechos de “Echoes”, do Pink Floyd, e apresentações do Genesis com Peter Gabriel vestido de flor. Meu pai foi ao delírio. Já num especial da Madonna, eles enfiaram “Everybody”, primeiro clipe do mito, artigo raríssimo, jamais exibido pela MTV Brasil ou incluído em qualquer coletânea da artista. Conseguir essas coisas era como ganhar troféus e uma espécie de passe livre para um mundo encantado proibido para a maioria. Tinha que aguentar varar madrugadas acordado, também. Mas isso nunca foi exatamente um problema na casa da minha família. Depois que “This is not America”, uma canção pela qual tenho profunda reverência existencial e que sinto que nunca decifrarei — ela traz um sentimento realmente muito estranho, que mistura saudade de algo que não sei bem o que é com um conforto, uma serenidade quase inatingível de proteção divina — ficou marcada na minha infância, minha convivência com Bowie pelos próximos sete anos não avançaria muito.

Corta para 1989. Estou com 10 anos e está passando um especial de clipes do Camaleão na TV Rio, canal 13. Vou assistir com meu avô, um cara que venera a Inglaterra. Só de saber que se tratava de um inglês, ele quis ver qual era. E gostou. Na época, ele era um sessentão que tinha sido criado ouvindo ópera, música clássica e standards com Cole, Sinatra, Bennett e Gershwin. Rapidamente, ele saca que Mr. Bowie carrega alguma erudição deslizante e britânica, além de um espírito big band na veia. “Que cara é esse que você tanto gosta e seu pai não liga tanto? Por que seu pai não liga pra ele? Os vídeos são bonitos! A voz dele é muito boa, me lembrou Sinatra em alguns momentos.” E sentenciou: “Vou te dar um disco dele.” O disco nunca apareceu. Mas a memória de apresentar algo tão moderno quanto “Let’s Dance” ao meu avô, ficou. Eu me recordo agora que estava em dúvida se o especial seria do Billy Idol ou do Bowie. Eu confundia os dois naquela época, acho que pelo ‘styling’ espetado do cabelo platinado e pelos clipes dirigidos por David Mallet (a semelhança de “Eyes Without A Face” com “Loving the Alien” é notável).

Corta para 1993. Agora, o canal 9 era a MTV e passava clipes quase o dia inteiro. Meu pai e eu começamos a gravar direto da fonte (o slogan da MTV nos idos de 93/94 era “MTV, a fonte”). Estava arrumando o quarto quando brota um clipe todo avermelhado anunciado pela Astrid, num programa da faixa das 10 da manhã, que era quando a MTV entrava no ar. E era só quando a MTV entrava no ar que a vida começava. Era dia 8 de janeiro, aniversário de David Bowie, e o clipe escolhido para homenageá-lo era “Ashes to Ashes”. Ainda não sei dizer o que senti quando vi aquilo pela primeira vez. Era como se uma espaçonave tivesse aterrissado num apartamento acarpetado do Rio de Janeiro. És fascinação, és revelação. A TV estava no “mudo”, me lembro como se fosse hoje. Ao ver Bowie de pierrô, sentado ao lado de uma fogueira, corri para aumentar. Aquele sintetizador soava ameaçador, torto, bizarro. E ecoava pelo quarto dos meus pais sem limites, e me ajudava a entender que a vida poderia ser muito mais que aquele quarto, ao mesmo tempo que entregava: está tudo acontecendo agora neste quarto. Eu não fazia ideia de quem era o Major Tom, eu não fazia ideia de nada, mas eu podia compreender o que estava sendo dito naquela caminhada, primeiro com seguidores e, depois, solitária, ainda que ao lado da mãe, do tal pierrô. Não deu tempo de gravar o vídeo, mas ele não saiu mais da minha cabeça e, alguns meses depois, ao gravá-lo, estaria para sempre destronado o clipe de “Planet Earth”, do Duran Duran, outros dos seguidores famosos de Bowie. A partir dali, o melhor clipe de todos os tempos seria “Ashes to Ashes”, definitivamente. Era o clipe-símbolo da aurora da MTV, lançado apenas um ano antes de a emissora norte-americana, pioneira na linguagem audiovisual fragmentada da era do simulacro, ir ao ar pela primeira vez. Era o clipe surrealista por excelência, cheio de códigos e mensagens escondidas, rarefeitas entre signos muito distantes do repertório usual do rock n’ roll. Era como um sonho e parecia completamente real, ainda que dentro de uma televisão. Era a mais perfeita colagem audiovisual, sem nenhum compromisso comercial. Era videoarte com música pop. Era um poema épico.

Naquele mesmo ano de 1993, em que eu estava adquirindo conhecimento musical numa velocidade videoclíptica, graças à onipresença da MTV, a verdadeira pátria educadora em minha vida, meu pai foi me acordar para ver um clipe “muito absurdo” que ele havia acabado de gravar, no meio da madrugada. Era “Space Oddity”. Ele não se conteve, não podia esperar que a manhã chegasse. Lembro de entrar no quarto dele. Ele aperta o ‘play’, e o que se segue é a imagem de um cara de cabelo laranja, cadavérico, branco como cera, tocando um violão que soa interplanetário. É apenas um estúdio, mas é muito mais que isso. O clipe reverbera a pureza da vibração sonora da canção que traz o tal Major Tom ao mundo. A câmera dá rasantes atormentados sobre equalizadores no estúdio e a escuridão contrastando com os efeitos de linhas verdes forma uma sinuosa geometria extraterrestre. Sinto medo na madrugada escura, sinto medo de meu pai me deixar, sinto medo de esquecermos de tomar as pílulas de proteína. Não consigo entender como o cara louro e bronzeado, vibrante de “Let’s Dance”, o pierrô teatral do clipe vermelho, o ‘crooner’ anônimo de “This is Not America” e aquele esquelético drogado tocando um violão psych-flamenco podem ser a mesma pessoa. Era um passo além do meu choque com a capacidade de ser vários de Chico Anysio, anos antes. Era algo que me transformaria completamente. Eu ganhava a consciência de que não precisaria, necessariamente, ser a mesma pessoa pelo resto da minha vida. E que, tampouco, precisaria esperar pelo envelhecimento para mudar. Ch-ch-ch-ch-changes. Meu pai comenta, fortuitamente: “Acho que eu devia ter dado mais atenção a esse cara, nos anos 1970, mas eu acho que sentia medo, algo era perigoso demais nele. Eu amava a ideia das ‘Aranhas de Marte’, tinha tudo pra eu gostar, era sci-fi, mas algo não me pegou… Tantos anos depois, eu descubro que o cara é genial.” A porrada foi “Space Oddity”, mesmo (lembro de papai me apresentando à versão do Bauhaus para “Ziggy Stardust” meses antes disso e dizendo “esta é originalmente do David Bowie, mas com o Bauhaus, é muito melhor”, e é impossível não tirar um sarro sobrenatural por ele também ter declarado, ao comprar o vinil do Nenhum de Nós, na época, preferir “Astronauta de Mármore” a “Starman”. Porra, pai!). Não deu tempo de ele se redimir totalmente e conseguir aproveitar a genialidade de Bowie, lamentavelmente. Já no meu caso, deu pra sacar que num dia, eu poderia ser uma, noutro, acordar sendo outra. É isso que eu tenho feito, aliás, manipulando e mudando meu visual radical e constantemente, e passando pelo maior número de experiências profissionais e artísticas possível vida afora e adentro.

Corta para 1997. Estou começando a discotecar, toco na festinha de uma colega de faculdade com um amigo e ele é vidrado em David Bowie, está lendo sobre o cara, conhece todas as músicas, os discos, leva alguns pra tocar no C.A. da faculdade, me apresenta aos sons da trilogia de Berlim a Ziggy Stardust, e eu piro. “Sufragette City” vira a favorita da minha discotecagem. Esse cara é Maurício Gouveia, que há anos devota sua vida à literatura e à música por meio de seu empreendimento incrivelmente longevo em pleno Rio de Janeiro da desilusão, a Baratos da Ribeiro. Foi ele quem me deu as primeiras lições sobre a real complexidade da persona David Bowie, ele mesmo, um cara soturno, alto, topetudo (em vários sentidos), de Taubaté, que andava de camisa de botão aberta no peito, carregando CDs pra lá e pra cá pelos corredores da faculdade, com papos muito “à meia-noite, levarei a tua alma”. Eu estava enfeitiçada pelo universo ‘glam’. Na mesma época, entrei em Roxy Music, T-Rex e Iggy Pop também. Dali a pouco, começaria a sair para as “boates de rock” do Rio e o soberano DJ Edinho me introduziria a ainda mais sons de Bowie e eu sentiria seu poder catártico na pista de dança. O conservadorismo do pai progressivo e do avô camerístico já parecia muito longe. Tinha sido cooptada pelos peri-gozos. E, embora tenha tido show do Bowie no Rio, naquele ano, e dois dos meus melhores amigos de colégio tenham ido e me chamado, eu não fui e até hoje não entendo bem por quê. Eu ainda não ia a shows de rock naquela época.

Corta para 1999. Naquele ano, eu conheceria uma garota naquela mesma faculdade que lia ‘The Outsiders’ e ‘Mate-me, por favor’, andava meio rasgada, meio relapsa, como uma punk não-assumida, tinha a série de CDs ‘Nuggets’ (com os compactos anos 1960 de ‘one hit wonders’ da era psicodélica e pré-punk) e amava muito Iggy Pop e David Bowie. Ela se tornaria minha melhor amiga e companheira constante de 1999 a 2003, e, com ela, eu mergulharia ainda mais fundo na obra e na cabeça de Bowie. Passamos incontáveis tardes, noites e madrugadas estudando seus álbuns, letras, filmes, videoclipes. Numa noite em visita à minha casa, quando mamãe ainda estava viva, ela coloca o lendário show de Ziggy no DVD e, em “My Death”, que ela canta à perfeição acompanhando o vídeo, minha mãe se sente mal. Depois que ela vai embora, deixando o DVD emprestado, mamãe comenta: “Não assiste isso de novo, tem algo de errado.” Mamãe morreria meses depois. Então, como uma espécie de presente do Universo, no final do encantado ano de 2002, quando vivíamos uma sobrenatural aventura mística-rocker, é lançado o DVD duplo ‘Best of Bowie’ com todos os videoclipes de sua carreira, tirando, justamente, “This is Not America”, o patinho feio. Ainda não existia You Tube e ali, havia uma penca de tesouros jamais exibidos pela MTV no Brasyl. O tal DVD funcionou como um portal para a equação ‘sound + vision’ de Bowie, e assistimos a ele centenas de vezes, dando ‘pause’ em cenas e mais cenas. Numa daquelas tardes siderais, no apartamento minúsculo e todo arrebentado no Leblon que meus pais tinham me deixado, ela levou ‘O homem que caiu na Terra’ para vermos. Lembro exatamente de como a luz de um sol pálido, entre o outono e o inverno, que ia se pondo entre as montanhas, cruzou com a imagem de Bowie esquálido e muito branco na tela da minha televisão. Não consegui prestar atenção em mais nada depois daquele raio que não era o de Aladdin Sane. Em setembro de 2003, eu me formaria na faculdade com uma monografia sobre videoclipe e dedicaria o último parágrafo dela a “Ashes to Ashes”. No mesmo ano de 2003, iríamos a um cinema na Barra da Tijuca, ela e eu, para assistir a um debut especial do álbum “Reality”, em que Bowie, o próprio, estaria numa espécie de maxi-Skype sintonizado com alguns países, dentre eles, o Brasyl. Dou um berro quando ele surge no telão e ela, uma gargalhada tão alta que cruza os oceanos, e atinge os ouvidos do inglês, que solta um risinho sarcástico e surpreso, delicioso. Corta para 2014. Exposição no MIS de São Paulo, trazendo grande parte da original no Victoria & Albert Museum. Sinto uma ‘bad vibe’ terrível, apesar do excitamento em estar diante de toda aquela memorabilia pela primeira vez e penso “parece que ele já morreu”. Tudo dele parece estar lá, menos ele.

Dia 8 de janeiro de 2016, escrevo um pequeno texto sobre “Lazarus”, clipe que tinha sido lançado um dia antes e, paradoxalmente, declaro “tá bem o garoto”, ao mesmo tempo que defino a cena final como dentro de um “armário-caixão”. Eu estava realmente confusa sobre o real estado de Bowie, mas sentia que algo sinistro estava sendo anunciado naquele vídeo. “Blackstar”, a canção, estava em altíssima rotação desde o Natal. Sentia uma enorme tristeza ao ouvi-la, mas não conseguia me livrar dela e sua atmosfera oriental-industrial. Dia 11 de janeiro de 2016, acordo de um sonho perturbador com uma angústia inexplicável no peito, maior do que a que eu já costumo sentir. O celular está ao lado da minha cama, o que quase nunca permito que aconteça (o celular ao lado da cama é um acontecimento). Ele apita sem parar. Quem está me mandando mensagens a esta hora da manhã, compulsivamente? É Igor Fidalgo, amigo e parceiro de muitas peripécias estéticas, dando a notícia: “Oi. Bowie is dead.” Pipocavam mensagens de mais amigos, ao mesmo tempo, numa torrente inacreditável que eu gostaria apenas que parasse. Arremesso o telefone na cama. Entro numa espiral de memórias da qual ainda não consegui sair. Mas justo nesta data? Fazia 12 anos que aquela minha amiga havia conseguido enviar um quadro pintado por ela para Bowie, através de um amigo norte-americano meu, que também morreu de câncer. Bowie, foi tudo um sonho ou não foi? Não. Foi um videoclipe. Ao qual eu sempre voltarei.

L.A. é um caleidoscópio: escritora, poeta, jornalista, agitadora cultural, curadora, DJ, artista visual, decoradora, ocultista, mãe, geminiana e o que mais não couber em duas linhas. Escreve neste espaço às terças-feiras. E-mail:leilah.accioly@gmail.com

Imagem: ‘frame’ do clipe “The Stars Are Out Tonight”, de 2013, em que Bowie contracena com Tilda Swinton, dirigido por Floria Sigismondi.

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