colu

Engole o Choro

0 Flares 0 Flares ×

Sobre tradições

Eu sou mineira e, como boa representante da minha galera, sempre passei minhas férias no Espírito Santo, mais precisamente em Marataízes. O mar não é lá muito azul (não é nada azul, na verdade), a cidade não tem muita coisa pra se fazer, mas nunca nos importamos, nem eu, nem ninguém da minha família. Afinal de contas, é a nossa casa de praia, e, olha, quando você mora em um lugar que no verão mais parece o hall de entrada do inferno, isso significa muito.

Pois então, quando tive filho, não morava mais em Minas. Meus dois filhotes nasceram em São Paulo e, por lá, para meu total espanto, ninguém curte o ES… Hahahahahahahaha. Mas eu, como boa mãe, jamais deixaria essa tradição morrer, porque, né, tem que gostar, sim. Os dois primeiros anos do meu mais velho não foram exatamente como eu esperava, dado que a criança ficava apavorada apenas com a existência das ondas, da areia etc. A mais nova, ano passado tinha cinco meses, então não tinha como incutir muito o espírito “mineiros on the beach”. Mas esse ano, minha filha… algo aconteceu.

Depois de alguns dias de resistência, meu garoto parece que aceitou o mar. Mais que isso, se agradou. Não só da praia, mas da cidade, pra alegrar o coração da mamãe enjoadinha. E tá tão lindo! Pede pra ir pra água, pede pra ir no parquinho, já foi ver arrastão, anda de bicicleta, brinca no jardim. Sabe férias? Minha filha, então, nem se fala. É só sentar na areia que o sorriso não some nunca mais. Aqui não tem TV a cabo com desenho (mal temos TV, pra ser sincera), mas, se tem uma coisa que posso dizer, é que não tem feito a menor falta.

Nossos dias aqui já estão terminando, mas este ano vou embora com mais leveza, com a certeza de que o amor pela “nossa praia” já foi plantado ali nos dois. E, pra me garantir, fui informada de que, no dia do arrastão, quando ele viu “UM PEIXE-ESPADA GRANDE DEMAIS! “, na volta pra casa surgiu a frase “eu adoooolo Malataízes!”. Ai, me mata de orgulho.

P.S.: A única coisa que ainda não consegui foi convencer o menino a tomar o melhor sorvete do mundo (Sim, é daqui, embora meu marido diga que acho isso porque é “gosto de infância”. Discordo.). Mas aí já é outra história, porque tenho uma criança de três anos que não gosta de sorvete.

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamasleticia@gmail.com

Imagem: repodução do www.temporadalivre.com

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Pin It Share 0 0 Flares ×