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Notas Perfumadas

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Lavanda e Alfazema são a mesma planta e o Brasil ama

Lavanda vem do latim ‘lavare’ e significa algo como água de banho, água de lavar. Alfazema é um nome utilizado em Portugal, derivado da língua árabe, em que ‘al-khuzâma’ ou ‘Alhuzaima’ é o nome atribuído ao tipo de arbusto da lavanda. ‘Alhuzaima’ deu origem à alfazema e alfavaca, por exemplo. Essa referência árabe na língua portuguesa se fortaleceu com a invasão muçulmana da peninsula Ibérica, período conhecido historicamente como expansão muçulmana, iniciada em torno do ano 710.

Com a entrada da indústria de perfumaria no Brasil, no início do século XX, a planta recebeu o nome utilizado pelos colonizadores do país. Por isso, até hoje, a maioria das pessoas não sabe ou fica em dúvida sobre a lavanda ser a mesma planta que a alfazema. Há uma pequena diferença nas folhagens, mas os dois nomes servem para a mesma espécie de planta, a Lavandula officinalis, L. Angustifolia.

Na perfumaria, aromaterapia e medicina holística, é um dos vegetais mais utilizados e conhecidos pelo senso comum e um dos aromas mais reconhecidos e adorados pelo gosto humano, principalmente nos dias atuais em que a sociedade apresenta alto grau de estresse. Sua fragrância transmite tranquilidade, cheiro de frescor e de limpeza, por isso, não é à toa que é derivada de ‘lavare’ – lavar. Essa refrescância no aroma de suas folhas é análoga ao frescor que ela transmite à mente, relaxando o excesso de pensamento e agitação. Isso ocorre, pois ela apresenta propriedades neurossedativas, antimelancólicas e calmantes.

Mas não só de calma vive a lavanda, ela é uma planta tão versátil que na aromaterapia a chamamos de enfemeira. Isso porque quando não se sabe o que utilizar em alguém, começamos sempre com uma lavanda, para acalmar e entender o que se passa com o indivíduo. É ela quem faz os primeiros socorros e limpa as feridas de imediato para que outras plantas possam fazer acessos mais profundos.

Para os que acreditam no campo vibracional, a capacidade de limpeza desta planta se estende ao mundo astral, desempenhando uma lavagem do campo áurico através da cor violeta (espectro da transmutação) de suas flores para os campos mental e emocional. Não é à toa que os antigos já a chamavam de ‘lavare’.

No campo físico, seu óleo essencial é o único que pode ser passado diretamente na pele sem precisar ser diluído em álcool ou óleos vegetais, sendo que a primeira grande descoberta científica sobre a lavanda foi a cura de queimaduras. Aconteceu em meados da Primeira Guerra Mundial quando o cientista frances René Gattefossé queimou sua mão no laboratório e, sem pensar, mergulhou o membro ferido em um pote de óleo puro de lavanda. Ele reparou que a queimadora sarou rapidamente e sem deixar cicatriz. Eu mesma já utilizei óleo de lavanda quando queimei fortemente minha mão em uma panela. Usei a lavanda pura e, para o meu espanto, mesmo estudando aromas há anos, em 15 minutos, já não ardia mais e, ao final do dia, o processo de cicatrização estava bem avançado. Há ainda uma lenda histórica de que no período da peste negra, fabricantes de luvas não eram atingidos pela doenças pois perfumavam o couro das peças com lavanda.

Por fim, posso dizer por experiência, em anos de perfumaria botânica, que brasileiro é um povo que ama lavanda! Creio que seja a refrescância que a planta possibilita em um clima tropical mas, principalmente, por ajudar a relaxar um pouco a cabeça de um povo que é vendido como feliz, mas que, na verdade, é o campeão mundial em uso de Rivotril, além do alto índice de suicídio que não é discutido.

O brasileiro, além de viver no calor, é um povo estressado, que “engole” seus problemas cotidianos e não tem bom sono. Dá-lhe Rivotril! Nada contra, eu mesma já tomei, mas hoje me medico todos os dias com lavanda: sem efeito colateral, menos estresse e mais vida.

Se você tem problemas de insônia, estresse ou dificuldade de relaxar:

Óleo essencial de lavanda: use diretamente na pele (pulsos, cardíaco, nuca, região entre os olhos). Mas tem que ser lavanda de verdade e já expliquei sobre isso aqui. 

Usar como perfume ou borrifador (também lavanda de verdade!): para 100 ml de álcool de cereal, 30 gotas de óleo essencial de lavanda.

Essas são as duas receitas mais acessíveis para você se jogar na lavanda, relaxar, limpar-se e refrescar-se!

Palmira Margarida é historiadora e pesquisa a história dos cheiros, é a pisciana mais ariana de que se tem conhecimento. Descende de italianos e adora uma massa, mas fala sem gesticular. Ama viajar e captar os aromas das trilhas, das culturas e das ideias. Está em busca do profundo perfume do Ser. Escreve neste espaço às quintas-feiras. E-mail: margaridalquimia@gmail.com

Imagem: Pexels.com

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