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Sentimento do Mundo

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O amor

O amor não chegou se anunciando. Como quem não quer nada, foi-se esgueirando entre as paredes da minha casa, buscando frestas entre os meus armários, disfarçando-se de alguma outra coisa enquanto eu, distraída, não percebia, ou fingia não perceber.

Quando me dei conta, já era um pouco tarde: caminhávamos abraçados por uma rua próxima à minha casa logo antes de você se despedir, e um frio tomava conta de minha barriga, fazendo com que eu me perguntasse mentalmente: “Quando será que ele volta?”

Sorrateiro, o amor veio e de repente saiu assim, já não me lembro se primeiro da minha boca ou da sua, na forma de um convicto “eu te amo” — a essa altura, a recíproca já era mais que verdadeira. Traiçoeiro, ganhou tanto espaço que por vezes deu as mãos ao ciúme, levando embora a minha calma e meu ar de quem não se importa muito com nada.

Bandido esse amor, que fez com que, longe de você, meus dias se arrastassem, lentos. Que levou para bem longe a paz, trazendo-a de volta apenas quando já era hora de ter seu abraço mais uma vez.

Intenso, subiu montanhas, atravessou mares, suportou o fogo e as tempestades da minha nada calma personalidade para mostrar que, sim, tinha vindo para ficar, e não eram os caprichos dessa alma cheia de manias que iriam nos separar.

O amor, finalmente, me pegou pela mão e me levou até o altar, coração acelerado, mãos suadas, sorriso permanente no rosto. Desde então, estou lá, diante de você, eternamente aquela noiva a te dizer “sim”.

Kamille Viola é jornalista e há muito tempo sonha ser também cronista. É fã de Rubem Braga, Drummond, Carlito Azevedo e Alvaro Costa e Silva, o Marechal. Escreve neste espaço às quartas-feiras. E-mail: kamilleviola@gmail.com

 

Imagem: www.rikasantidewi6o.loveitsomuch.com

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