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Engole o Choro

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Crescei­ e multiplicai­-vos!

Os últimos tempos não estão fáceis. Uma criança só sabe se comunicar com beliscão e mordida, a outra só quer saber de responder, mandar e chorar até enlouquecer pai e mãe, as pessoas estão transtornadas nas redes sociais e fora delas, a novela teve um fim péssimo… Afe! Ontem meu dia começou com meu filho me dando um tapa porque
ouviu um “não”. Daí vai mãe brava, castigo, conversa, choro, grito… desgaste. E não eram nem 10h.

Mas eis que tudo muda quando chega uma notícia muito feliz: uma amiga se descobriu grávida. E a outra notícia feliz vem logo depois: outra, também grávida, vai ter menina. Na hora em que li essas duas mensagens, não sei explicar sem que pareça extremamente ‘hippie’, mas a verdade é que meu coração ficou cheio de alegria pelas duas. Eu, que tinha acabado de “ficar de bem” com o meu pequeno delinquente, mas ainda tava meio chateada pelo acontecido, comecei a chorar de felicidade.

Minhas duas amigas são mulheres incríveis, fortes, inteligentes, ótimas. Tenho certeza de que serão mães maravilhosas. Fora que, né, gente, filho de amigo pra mim é sobrinho. É criança que eu quero bem sem nem conhecer, quero saber dos ultrassons, quero ver logo que nasce, saber quando cai o umbigo, engatinha, anda, nasce dente, fala. Eu preciso até me policiar, porque sou o tipo de pessoa que pode só falar sobre isso pro resto da vida.

Eu sei que essa coluna é sobre maternidade real, sem conto de fadas. A vida é assim mesmo, a gente aprende a ser mãe no dia a dia, com um monte de erros e alguns acertos, sofrendo, rindo, chorando, brincando. É isso e, se tem uma coisa de que me orgulho, é de não ser uma “blogueira de maternidade” que passa a semana falando sobre roupinhas incríveis, achadinhos em sites gringos e da importância de combinar roupa com sapato.

Mas a verdade mesmo, acima da dor, da angústia, da ansiedade e da loucura que é criar alguém, é que filho é uma das coisas mais maravilhosas da vida toda. Não é (mesmo) a única forma de conhecer o amor verdadeiro, mas é uma forma muito intensa de amar. E, quando amigo meu decide entrar nessa, eu fico muito empolgada. Porque, apesar de todos os pesares, filho é uma viagem boa demais! Bem­-vindos, pequenos! A tia ama seus pais e já ama muito vocês!

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamasleticia@gmail.com

Imagem: annagrecco.com

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