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Bruce Dickinson: dane-se o câncer!

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Após enfrentar doença, vocalista do Iron Maiden surpreende plateia carioca no primeiro show da turnê mundial da banda no Brasil

Ele teve mesmo câncer? As duas horas de show do Iron Maiden iam avançando, e este pensamento se revirava dentro das 13 mil cabeças que lotaram a HSBC Arena, na Barra da Tijuca, quinta-feira à noite, para o primeiro show no Brasil da atual turnê mundial da lendária banda de heavy metal britânica. Há um ano e um mês, o vocalista Bruce Dickinson fora diagnosticado com tumores do tamanho de bolas de golfe na língua e no pescoço, após as gravações do álbum ‘The Book of Souls’. No palco, porém, a criatura de 57 anos, 1,68 de altura e que mal deve chegar aos 60 quilos tira fôlego não se sabe de onde: como se nada tivesse acontecido, abusa dos longos e cristalinos agudos, corre de um lado para o outro, dá saltos e ainda arranca o coração de Eddie, horripilante mascote da banda.

Das 15 canções do setlist, seis são do novo álbum, mas já conhecidas da maioria do público. As demais são clássicos dos anos 80 a 2000. Se havia dúvida quanto à capacidade de Bruce em manter o nível da performance, sobrava certeza de que os instrumentistas dariam conta do recado. Os guitarristas Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers são comandados com vigor pelo ‘dono’ do Maiden, o baixista Steve Harris. Aos 60 anos recém-completos, mas com corpinho e cabeleira de 40, ele segue com o olhar e o instrumento apontados para a plateia, como metralhadoras. Ao fundo, escondido atrás da gigantesca bateria, está Nicko McBrain.

Na abertura, Bruce surge atrás de uma espécie de caldeirão fumegante, no cenário que representa um templo da Civilização Maia, tema de ‘The Book of Souls’. A música escolhida é a imponente “If Eternity Should Fail”, faixa número 1 do novo álbum. Em seguida, o sexteto emenda com a vibrante “Speed of Light”, primeiro single do novo trabalho. A potência do repertório mais antigo aparece logo depois, com ‘Children of the Damned’, de 1982.

Na primeira pausa do show, Bruce olhou encantado para a arena lotada. “Depois de passar por Estados Unidos, México, El Salvador, Costa Rica, Chile e Argentina, finalmente chegamos ao Brasil!”, comemorou o roqueiro, que revelou gostar de sol e samba. Um fã jogou uma bandeira brasileira aos pés do cantor, que a ergueu e calou qualquer tipo de polêmica política que pudesse surgir. “Eu tenho visto muito esta bandeira na CNN. Espero que os caras maus se f*dam, quem quer que sejam”, sentenciou.

O grupo apresentou ainda outras faixas novas, como “Tears of a Clown” (homenagem ao comediante norte-americano Robin Williams, que cometeu suicídio em 2014), “Death and Glory” e “The Red and The Black”. Durante a imponente faixa-título “The Book of Souls”, surgiu no palco a mascote Eddie, com cerca de três metros de altura e caracterizada como integrante da antiga Civilização Maia. No ‘combate’ com Bruce, acabou tendo o coração arrancado e atirado à plateia.

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A partir da esquerda, Murray, Harris, Bruce (atrás dele Smith) e Gers, durante a música “Number of the Beast”

O Maiden seguiu com sucessos antigos, como “The Trooper” (1983), “Powerslave” (1984), “Hallowed Be Thy Name” (1982) e “Fear of The Dark” (1992), cantados em uníssono na arena por fãs de 60 a 6 anos de idade, sem exageros. A última música antes do bis foi “Iron Maiden” (1980), que contou com nova aparição de Eddie, dessa vez em versão inflável e gigante, no fundo do palco.

Na volta do rápido intervalo, o Maiden atacou com “The Number of The Beast” (1982), com direito a outro bonecão inflável, desta vez chifrudo, e muito fogo. O show terminou com “Wasted Years” (1986), mas antes dela veio “Blood Brothers” (2000). Como sempre, Bruce discursou sobre paz e união, que, ao contrário do que muitos pensam, são características marcantes em concertos de heavy metal. “O mundo pode ser um lugar terrível, mas querem saber? Estamos em um show do Iron Maiden. Há pessoas de várias nacionalidades, raças e orientações sexuais aqui, e não estamos nos matando. E é isso o que importa, pois somos todos irmãos de sangue”, disse.

No Brasil, a o show ainda passou por Belo Horizonte (sábado, dia 19) e segue por Brasília (22), Fortaleza (24) e São Paulo (26). Nesta turnê, o Iron Maiden percorrerá, ao todo, 35 países até o dia 4 de agosto, a bordo do avião da banda, o Ed Force One, que, aliás, é pilotado pelo cantor. O cara, aliás, renderia um bom ‘Globo Repórter’. Bruce Dickinson: Como vive? O que come? De onde tira energia?

Fernanda Portugal é mãe do Arthur há oito anos, jornalista há uns 20 e roqueira de nascença. E-mail: fernandabportugal@gmail.com

 

Imagens: Flavio Pessoa

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