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Quero ir embora!

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Esta semana, vi uma publicação, dessas que estão na moda, assim: “A gente paga de boa mãe, mas é cada fugida que a gente quer dar…” Aí, já me bateu a revolta, porque A BOA MÃE não pode ter vontade de sumir, né? Ah, faça-me o favor! Eu acho que sou uma mãe OK (pelo menos OK), e só as deusas sabem quantas vezes tive vontade de desaparecer, pedir demissão deste cargo, sumir no mundo sozinha. Vou te contar algumas delas. Eu quis não ser mãe quando:

 

  • Meu primeiro filho teve a primeira cólica, chorando ininterruptamente por quatro horas, até dormir, não de sono, mas de cansaço;

 

  • Bati minha cara na parede, porque errei onde era a porta, depois de levantar pela milionésima vez numa madrugada;

 

  • Meu filho teve todas as crises de cólica posteriores;

 

  • Espirrei depois de fazer uma cesariana e senti todos os milímetros do meu corte;

 

  • Meu filho rolou pela primeira vez da escada do prédio (ainda houve mais duas, mas aí eu já tava calejada), aos 11 meses, provocando o maior grito que já dei na vida, enquanto estávamos sozinhos, e nenhum vizinho cogitou a possibilidade de abrir a porta pra ver se estava tudo bem);

 

  • Passei pela primeira noite de plantão do meu marido sozinha com o bebê;

 

  • Passei as noites do plantão sozinha com um filho e grávida de outro;

 

  • Todos os meus amigos combinaram programas dos quais eu nunca mais poderia participar;

 

  • Me perguntaram o que eu tinha feito pra criança chorar daquele jeito;

 

  • Meu filho disse que eu só gostava da irmã dele;

 

  • Minha filha decidiu que chorar era o jeito de conseguir o que quisesse;

 

  • Comecei a desfraldar a criança e meu sofá virou um lago de mijo;

 

  • Disseram pra mim que “na hora de fazer tava bom”, “ter filho é isso mesmo”, “você é obrigada a amar cada momento”.

 

Até hoje, a vontade de sumir é latente, talvez um pouco menos forte, mas vira e mexe, ela aparece. Mas você não some. Você engole, respira, chora no canto e espera passar. E coloca no ‘repeat’ mental: “Eu sou uma mãe de verdade.”

 

Leticia Lamas é jornalista e mãe de dois. Escreve neste espaço às sextas-feiras. E-mail: lamasleticia@gmail.com

 

Imagem: www.fytso.com

 

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