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Mulheres e a alquimia interior: curando a candidíase

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Devido à grande mobilização após o texto “Candidíase: a vagina como lugar de cura”, com pedidos de ajuda, confidências de angústias e curas, resolvi dar continuidade ao tema, não como uma estudiosa, mas como uma irmã. Convido todas que estão lendo este texto a se mobilizar em grupos, seja pela internet, seja ao vivo. Mulheres devem se ajudar mais, é preciso união, que uma cuide da outra, ouça e tenha carinho.

 

Quando eu estava com a candidíase-mor da minha vida, tudo que eu queria era que alguém conversasse comigo, falasse que ia passar e que eu não era a única no mundo com aquela dor. De fato, mulheres maravilhosas ajudaram-me, e ouvir que eu não era a única, dava-me a sensação de pertencimento e a de que outras mulheres eram compassivas com a minha dor. Recebi muitos e-mails narrando pacotes de doenças e sintomas interligados à candidíase, como síndrome do pânico (já falei um pouco sobre meu processo com a síndrome do pânico aqui), depressão, falta de prazer, garganta inflamada, infecção urinária, além de relatos de agressão e abuso sexual, psicológico e emocional. Eu sou extremamente compassiva, porque já passei por tudo isso, estive em todas essas dores e, hoje, sinto-me uma pessoa em paz, seguindo o caminho da minha essência.

 

Este texto vai ser um pequeno e singelo apanhado das quatro principais plantas que auxiliaram-me a ter autoconsciência sobre as “dores da alma” que levaram-me a ter uma proliferação de fungos ‘candida’. Apenas quero lembrar que, antes de tratar as plantas como catálogo, é preciso avaliar seu histórico emocional e o de suas irmãs, ter no coração que cada uma de nós é um ser único e especial, e que o que ajudou na sua dor pode não auxiliar na dor de outra. O melhor início de tratamento ainda é carinho, atenção e ouvidos.

 

Então, vamos lá!

 

Primeiro passo: junte-se a outras mulheres, coloquem-se em roda, olhem-se nos olhos, apresentem-se. Troquem experiências e, em um primeiro momento, tente mais ouvir que falar, seguindo a proporção dois ouvidos e uma boca.

 

Segundo passo: se conscientizar de que nós, mulheres, trazemos uma sabedoria ancestral e coletiva sobre o mundo botânico e que vegetais apresentam frequência MHz maior que qualquer ser humano, logo, eles equilibraram a nossa frequência. É preciso averiguar de qual vibração você necessita para equilibrar-se e estar vivendo de forma plena na sua essência.

 

Aqui, listei quatro plantas que utilizei para a candidíase, das quais três uso até hoje como auxílio no meu processo de busca interior.

 

  •  Camomila dos Alemães ou Azul

 

Matricaria chamomilla L.
Técnica: cicatrizante, antiespasmódica, antiinflamatória, antimicótica.

 

Camomila é uma planta que parece boazinha, mas os bonzinhos têm muita força interna, amor, compaixão e acolhimento. Seres extremamente compassivos já passaram por muitas dores, por isso, têm muita força emocional e estrutural. Camomila, em meus estudos, é uma planta para alquimia interior, silêncio da mente para ouvir o coração e sentir o pulsar da criatividade saindo pelo chakra sexual. Ela relaxa, harmoniza, silencia a nossa raiva para vermos a grandiosidade sagrada que somos. E o sagrado é prazer, abundância e prosperidade em todos os níveis. A pobreza, a culpa e a vergonha de sentir prazer são mandamentos da instituição cristã (não de Jesus) que bloqueiam a nossa criatividade espiritual aqui na matéria. Camomila é uma matriarca que mostrou-me o que é ser sagrado.

 

Uso: Utilizei como banho de assento (no caso específico da candidíase) e bebo o chá todos os dias antes de dormir.

 

  • Ylang Ylang

 

Cananga odorata
Técnica: Antisséptico, hipotensor e antiespasmódico.

 

Ylang ylang é a flor bailarina e do prazer. Utilizo muito ainda, pois minha crença limitante era de não poder ter prazer, e sabemos como pode ser demorado o processo de sair de um padrão. É aos pouquinhos, não tem milagre. Se você é rígida com você mesma, não aceita errar, está sempre preocupada com o que os outros vão pensar e em agradar e dar o seu melhor ao outro para conseguir um pouquinho de afeto, cuidado, isso é falta de amor próprio. Você não precisa agradar a ninguém a ponto de se prejudicar para ser amada. Pessoas vão te amar pela sua essência.

 

Mulheres que precisam controlar tudo o tempo todo (e você não faz isso porque é malvada, foi uma tática de sobrevivência que aprendeu) podem sofrer de ansiedade e até de síndrome do pânico. Primeiro, porque sabemos que controle é véu de Maya, é ilusão, nada está sob controle! Segundo, seu único inimigo é você mesma, e os outros só têm o poder que você concede a eles. Ylang ylang nos traz essa sabedoria e vem lembrar-lhe que você é um ser espiritual tendo uma experiência material, que sua alma precisa sentir o pulsar do prazer para viver a essência de Ser através do corpo. É preciso se libertar das amarras, dos julgamentos e olhares dos outros. Relaxa e goza a vida! Ylang ylang não aceita golpes e jamais viveria em uma ditadura. Chega de ser sua própria ditadora! Liberte-se, pare de inflamar ou esconder a sua vulva e permita-se ter prazer. Muitas mulheres relatam que começam a ter candidíase quando passam a manter relação sexual com um homem que as trata bem. Daí, a vagina arde, para que ela não possa mais manter relações sexuais. Vamos tentar uma ylang ylang para libertar a culpa de ter prazer.

 

Uso: Utilizo como perfume. Em um frasco de vidro de 100 ml de álcool de cereais, coloco 30 gotas de óleo essencial.

 

  • Jasmim

 

Jasminum officinal
Técnica: antiespasmódico, estomáquico, tônico.

 

Ai, o jasmim! A flor que tantas amam, porque todas nós já fomos e ainda somos abusadas sexual, emocional ou fisicamente. Qual de nós nunca viveu com medo, irritação, depressão, baixa autoestima? Jasmim vem nos resgatar do poço de padrões limitantes fomentados por abusos — e, em uma sociedade latina patriarcal, ainda estou para conhecer mulher que nunca sofreu um abuso. Jasmim é suave, mas está sempre com a mão levantada, como o mudra da deusa Durga (Abhay Mudra — libertação dos medos). Quem sofreu ou sofre abusos pode se fechar para o prazer, formar um castelo em torno de si para não ser mais invadida (em todos os níveis), e a vulva, muitas vezes, se torna local de repulsa. Muitas mulheres não se tocam, não olham e admiram a própria vulva. Sugiro deitar-se e, com um pequeno espelho, começar a olhar para a sua vagina e sentir que não há nada de errado em admirá-la ou tocá-la. Meninos fazem isso com seus pênis. Não há problema algum! É natural, assim como mexer nos cabelos.

 

Uso: Utilizei e ainda utilizo o chá de jasmim ou cato jasmins em jardins de amigos e tomo o banho na lua crescente. Deixo os jasmins com água filtrada em um pote de vidro de um dia para o outro e tomo esse banho. Faço também a tutora das flores e tomo três gotas por dia. O óleo essencial de jasmim é muito caro, mas, sempre que tenho, misturo com óleo de jojoba e utilizo diariamente em cima do chakra cardíaco antes de dormir.

 

  • Tea Tree

 

Melaleuca alternifolia
Técnica: Antisséptico, antifúngico, antiinflamatório, analgésico, bactericida, cicatrizante.

 

Melaleuca é uma guerreira, e já acompanhei gente próxima curando até psoríase com ela. Tea tree não está para brincadeiras, é uma Iansã em dia de fúria. Já recebi muitos relatos de moças que curaram a candidíase com melaleuca, e eu mesma já curei uma ferida no pé com ela. Mas minha experiência com ela para candidíase não foi das melhores. O comportamento do meu ego é como ela, e eu precisava mesmo era de calmaria e perder a vergonha de sentir prazer. Talvez hoje, após um processo intenso de autodescoberta, ela funcionasse, pudesse trabalhar lindamente com toda a sua medicina. Mas, no passado, eu não tinha forças, e foi uma briga violenta. A camomila teve que vir apaziguar e recolher-me do campo de batalha. Com silêncio e uma autopermissão ao prazer, pude rever minhas dores.

 

Eu espero, de coração, que você também possa rever as suas, que possamos, cada vez mais nos dar as mãos e seguirmos sabendo que somos donas do nosso próprio corpo, do nosso prazer e criatividade, e que ninguém, nem mesmo esta sociedade patriarcal que demonizou nossos corpos e sabedorias, poderá mais nos adoecer. Com um olhar suave e coração tranquilo, eu reverencio a sua sabedoria ancestral para a autocura e alquimia interior.

 

Notas:

 

– As explicações são singelas, pontuei plantas que funcionaram para mim, empiricamente. Há outras dezenas de plantas que podem auxiliar na sua cura e busca;

 

– As utilizações de cada planta podem ser realizadas de acordo com o que for melhor para você. É empírico mesmo! É usar, mudar o uso, sentir-se, silenciar e analisar o que apresenta melhor efeito;

 

– Óleos essenciais são diferentes de essências. Para ter efeito, é necessário que sejam óleos essenciais verdadeiros, como já expliquei aqui;

 

– Óleos essenciais devem ser carreados ou diluídos em óleos vegetais ou álcool de cereais. O único que pode ser utilizado diretamente na pele é o de lavanda;

 

– Em caso de dúvidas, procure por um profissional de aromatologia ou fitoterapia;

 

– Crie grupos de ajuda com suas irmãs, compartilhe!;

 

– Para candidíase, procure um bom ginecologista; para depressão, síndrome do pânico e transtorno de ansiedade, procure ajuda de um profissional de psicologia, e, paralelamente, procure por rodas de mulheres e terapia alternativas;

 

– Este é apenas mais um relato, crie rodas e ajude as outras!

 

Palmira Margarida é historiadora e pesquisa a história dos cheiros, é a pisciana mais ariana de que se tem conhecimento. Descende de italianos e adora uma massa, mas fala sem gesticular. Ama viajar e captar os aromas das trilhas, das culturas e das ideias. Está em busca do profundo perfume do Ser. Escreve neste espaço às quintas-feiras. E-mail: margaridalquimia@gmail.com

 

Imagem: Tumblr Static.

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