sagr

Maína Mello ensina que os encontros vão além do signo solar

0 Flares 0 Flares ×

A astróloga carioca, Maína Mello, lança o livro ‘Encontros astrais — Os signos no amor e como eles interagem’ e dá entrevista à Vertigem sobre sua estreia nas prateleiras das livrarias, astrologia pop, relacionamentos e muito mais. Leia também a crítica do livro por Leïlah Accioly. 

“Será que o meu signo tem a ver com o seu?”, canta Cláudio Zoli no clássico dos anos 80 “Noite do Prazer”, de sua banda na época, a Brylho. Mas, no que depender da popularização de um saber astrológico mais aprofundado, essa fórmula de xaveco está com os dias contados. Uma das mulheres que vão escrever o nome nessa história é Maína Mello, a astróloga e jornalista carioca que assina o horóscopo de sucesso Mapeando, e que é apontada como a Susan Miller brasileira. Interessada nos domínios e artes de Eros (a ‘expert’ também assinou, em 2015, o Mapeando Eros, vertente mais quente do seu horóscopo original), ela lançou, recentemente, o livro ‘Encontros astrais Os signos no amor e como eles interagem’ (editora Fontanar, 240 páginas, R$ 26,80), que pode funcionar como um guia para relações afetivas e sexuais, mas que também, pode ser uma boa fonte de reflexão sobre elas.

O diferencial da obra é, justamente, passar longe da fórmula fácil de “casar” os signos. Para isso, Maína Mello vai muito além da superfície imediata da compatibilidade entre os signos solares, analisando as posições de Marte (planeta que expressa a vontade), Vênus (o desejo), Ascendente (o estilo), Lua (emoção e envolvimento) e Lilith (a libido), o mais obscuro de todos, pouco falado fora do círculo mais especializado. Com essas cinco dimensões, além do signo solar, a autora entrega um panorama completo das tendências das combinações nos relacionamentos.

Essa é a grande sacada de ‘Encontros Astrais’, que tem a marca já inconfundível de Maína: franqueza na leitura dos sinais + doçura na transmissão do conhecimento + precisão teórica. O texto é objetivo e sua fala soa íntima. Lê-lo equivale quase que a uma consulta astrológica entre quatro paredes, porque pulsa um diálogo subjacente a cada parágrafo, que flui em direção a nossas memórias, intuições e sensações sobre os relacionamentos e/ou tentativas de relacionar-se, e o ser amado. Isso tudo quer dizer que dá vontade de responder à autora e sair contando nossos “causos” amorosos. “Na historinha que está escrevendo para sua vida, Áries é independente até a página 10, momento da virada na trama, quando ele se apaixona e descobre que não pode mais viver sem o ser amado. É aí que perde a cabeça — a metáfora não é por acaso: no corpo, é a cabeça que tem a regência astral do carneiro”, conta Maína, no primeiro capítulo do livro, que aborda os signos solares. Ao ler o trecho, pipocam exemplos de arianos e arianas que já “perderam a cabeça” por amor, imediatamente.

capa Encontros Astrais

“O que acontece depois que Capricórnio ergue toda uma estrutura para a realização das coisas? Um raio cai do céu e põe tudo abaixo!”, começa assim, bombasticamente, o capítulo sobre Sol em Aquário. “Mas a Lua em Gêmeos também flerta com as sombras, e não é por apego ou visceralidade — é porque não sabe se gosta mesmo ou não, se fica ou não. Do outro lado sempre tem esse ‘ou não’, entende? Não? Nem a Lua em Gêmeos”, provocação bem-humorada à maneira da própria Lua em Gêmeos, no capítulo dedicado às posições lunares. Esse fluxo da escrita de Maína Mello, que costura erudição com ‘webwriting’ com sensibilidade para as questões da alteridade em tom de bate-papo caloroso, faz dela uma das porta-vozes mais expressivas da astrologia século 21, com entonação pop, que vem sendo disseminada pela internet, com largo papel do Facebook e suas dezenas de páginas dedicadas aos astros. O espectro de abordagens é amplo, mas duas vertentes se destacam: o humor escrachado mas inteligente, bem embasado (Signos da Zueira, Astrologia da Depressão, Não acredito em astrologia, mas., No céu com Luludy, Astrologia Sincera) e a poesia (Piloto Júpiter, Estação Vênus, Trama Celeste, Saturnália – Astrologia & Cidade, e Thiago Guimarães Torres, com trabalho notável em seu perfil pessoal) em boletins astrológicos que mais parecem poemas. Nesse cenário, Maína Mello é a maga de personalidade forte, com sua presença de sacerdotisa antiga transposta sem escalas para os dias de hoje, com um talento indisfarçável para apresentadora de TV.

Na sua estreia em livro, a proximidade emocional da ‘hostess’ que senta no sofá e tira todas as suas dúvidas com paciência e sabedoria, dá as mãos a um conteúdo extremamente objetivo, desenvolvido com precisão e cuidado. E, ainda assim, nem tudo é astrologia em ‘Encontros astrais’. Há agudo conhecimento de psicologia sendo enunciado em todas as entrelinhas e, mesmo para quem não crê na influência dos corpos celestes e/ou em sua mitologia nas nossas vidas, o livro pode servir como um estudo instigante sobre as interações entre os mais variados perfis psicológicos e os comportamentos gerados por eles. Tudo isso embalado pela esfuziante colagem pop da capa, que traz uma inusitada centaura, interpretada para os tempos de empoderamento feminino pela excepcional ilustradora e colagista de São Paulo Catarina Bessell. Aliás, vale informar que Maína Mello é sagitariana.

Descubra mais sobre Maína Mello e seu primeiro lançamento na entrevista exclusiva que a astróloga concedeu à Vertigem.

Vertigem: Amar é hoje um dos maiores atos revolucionários. A introdução do livro chama-se “A arte do encontro”. As pessoas ainda conseguem, de fato, se encontrar, neste momento complexo da história?

Maína Mello: Conseguem, sim! Mas o encontro pressupõe uma abertura que foi rara nos últimos anos. O ciclo de eclipses entre Áries e Libra redinamizou os relacionamentos de 2013 pra cá, mas agravou individualismos. Penso que foi importante para que as pessoas se reencontrassem consigo mesmas, mas, diante do espelhamento do outro, quantas contradições e bloqueios emocionais. Na minha estatística de consultório, houve mais separações e relações sem vínculos, baseadas apenas no desejo sexual, do que envolvimento. Mas sinto que isso está mudando. Outra série de eclipses, a do eixo Virgem-Peixes, que começou há um ano, tem aguçado romantismos. Uma bem-vinda onda sentimental tem amolecido os corações empedernidos e as pessoas estão se aproximando outra vez.

Em 2015, você lançou o Mapeando Eros, que virou sensação na internet, focando nos aspectos eróticos dos signos. O livro seria um desdobramento natural desse movimento de Eros? O que a moveu a escrever esse livro?
O Mapeando Eros e o ‘Encontros astrais’ nasceram ao mesmo tempo, assinei contrato com a editora enquanto estava trabalhando na renovação do meu site, Mapeando, que incluiu esse novo horóscopo. Então eu escrevi os dois ao mesmo tempo, pois estava totalmente focada no erotismo. O livro foi um desdobramento natural do meu desejo de escrever sobre o amor e o sexo segundo os astros, um estudo a que me dedico desde que descobri Lilith, há alguns anos. Lilith é libido, é puro instinto. Não havia como eu escrever sobre outra coisa neste momento, não só porque é o assunto que mais me fascina, mas porque é o interesse de dez entre dez pessoas que procuram orientação astrológica.
Maína Mello por Tatiana Guinle 22
Maína corre em clique de Tatiana Guinle

A maioria das pessoas quer uma resposta fácil: meu signo combina com o dele (a)? Mas o seu livro vai muito mais fundo, investigando a compatibilidade entre outros planetas dos mapas dos amantes ou potenciais amantes. Como foi mergulhar nesse trabalho extenso?

A proposta do livro é autoconhecimento, é para que cada um reconheça o seu desejo e necessidade emocional e também a dos (potenciais) parceiros, para que possa se relacionar melhor consigo mesmo e com os outros. As pessoas se unem e se separam pelos mais variados motivos. Cada mapa astral é um universo em particular, com todos os signos e planetas configurados de uma maneira própria. São muitos os aspectos a considerar numa análise de relacionamento, ninguém pode pretender uma previsão exata, algo como “seu parceiro tem que ser do signo x, ascendente y e lua z”. Isso não existe! A atração sexual e afetiva é dinâmica, é criativa, pessoas muito diferentes podem se dar muito bem, pessoas muito parecidas podem ter uma relação morna e carente de inventividade. O amor é mágico, o sexo é química, um encontro pode gerar um universo de possibilidades.

Como você avalia o céu deste ano para o amor e o romance?

Há magia no astral outra vez, tem alguns encontros de almas acontecendo, fruto do ciclo de eclipses em Virgem e Peixes que começou no ano passado e que tem a ver com resgates cármicos. Então está havendo uma limpeza, uma despedida do passado, de memórias doloridas, culpas e aprisionamentos que impediam uniões verdadeiras. Nem todo mundo está indo de encontro à sua “alma gêmea”, porque aliás nem todos têm um encontro a ser recuperado, mas no mínimo existe a oportunidade de se purificar e se permitir criar vínculos mais sensíveis.

Você acredita que, mesmo com todas estas análises racionais, existe predestinação nos encontros amorosos? Acredita em alma gêmea? 

Hahaha! Respondi a pergunta anterior antes de ler esta e até coloquei o termo entre aspas… Não acredito que exista alma gêmea, pelo menos não como o senso comum compreende, como se uma alma se dividisse em duas que passam as vidas a procurar por seu perfeito complemento. Mas verifico que existem afinidades espirituais, encontros que podem já ter acontecido em outras vidas e que são muito significativos, quando há uma expectativa de reencontro, seja para resolver uma questão, seja simplesmente para compartilhar mais uma existência conjunta de amor.

Maína Mello por Tatiana Guinle 31

“A astrologia é o saber mais completo que existe, é o conhecimento do universo. É por isso, masculina e feminina, mas que lindo que em português seja uma palavra do gênero feminino.” — Maína Mello. 

A internet fortaleceu a astrologia, divulgou nomes, tornou o tema mais presente no dia a dia. Como você vê o cenário da astrologia na web, agora?

A astrologia é pop! Isso é maravilhoso, e estou trabalhando pra isso, minha missão passa pela comunicação e eu vou seguir divulgando esse conhecimento em grande escala, sim. Isso é empoderar o ser humano, que ainda está muito distante de ser criador de seu próprio destino, mas que tem esse potencial.

Qual o papel da astrologia neste momento planetário de resgate dos princípios do sagrado feminino?

A astrologia é o saber mais completo que existe, é o conhecimento do universo. É, por isso, masculina e feminina, mas que lindo que em português seja uma palavra do gênero feminino. A astrologia é um sistema no sentido masculino, com suas regras e cálculos, mas só pode ser interpretada à luz da intuição feminina. Homens e mulheres têm o yin e o yang dentro de si mesmos, o que Jung chamou de anima e animus. A astrologia é o saber que nos une. O sagrado feminino era a energia que, reprimida, estava faltando para sermos novamente inteiros.

Leïlah Accioly é um caleidoscópio: escritora, poeta, jornalista, agitadora cultural, curadora, DJ, artista visual, decoradora, ocultista, mãe, geminiana e o que mais não couber em duas linhas. E-mail: leilah.accioly@revistavertigem.com

 

Fotos de Maína Mello por Tatiana Guinle. Imagem da capa de ‘Encontros Astrais’: divulgação.
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Pin It Share 0 0 Flares ×